03 Feb 2012 20:19:06

Um fim de semana em Visconde de Mauá, agora com acesso asfaltado

VISCONDE DE MAUÁ - Na última década, até um pouco mais, quase tudo o que se falava a respeito de turismo em Visconde de Mauá atrelava o luxo das pousadas que foram abrindo ao longo dos anos ao ambiente zen característico da cidadezinha montanhesa de natureza privilegiada e clima delicioso. Uma coisa meio hippie-chique: incenso e cachoeira com ofurô e lençol de algodão egípcio; trutas frescas e lareiras em brasa com vinhos premiados e chefs estrelados; cheiro de roça com massagens terapêuticas; mistura de "alternativos" com executivos do mercado financeiro... A partir de agora, o assunto será outro: a facilidade de acesso. Já não é mais preciso ter um 4x4 nem botar a saúde do carro em risco para se chegar ao alto da Serra da Mantiqueira. No fim do ano passado, a estrada de acesso ao lugar foi totalmente asfaltada, diminuindo significativamente o tempo de viagem: dá para fazer em até duas horas e meia, e sem risco de deixar pedaços do carro pelo caminho nem impor aos ocupantes uma sessão de tortura em forma de solavancos. Assim, pela primeira vez na história, vale a pena pensar em passar um fim de semana que não seja prolongado em Mauá. Por isso, estamos propondo este roteiro, começando no sábado pela manhã e terminando no domingo à noite, voltando para casa na segunda cedinho.

Na chegada, cachoeira, canoagem e truta

Para pegar a estrada ainda vazia e poder aproveitar o dia, o melhor é sair do Rio bem cedo. Até Penedo, sem trânsito, dá para chegar em aproximadamente duas horas, viajando tranquilamente pela Via Dutra. É um pouco mais para cima, depois da entrada para a Serrinha de Alambari, que o caminho até Visconde de Mauá está irreconhecível. O asfalto, novo em folha, é melhor que 99% das rodovias do Brasil: lisinho, sem ondulações. Quando menos esperamos, chegamos ao mirante do alto da serra, a 1.300 metros de altitude ? vale ir parando pela estrada, para fotos nos muitos locais apropriados para isso, com lindos panoramas da Serra da Mantiqueira.

Poucas coisas podem ser mais agradáveis de se fazer ao chegar no alto da montanha, pelo menos no verão, do que dar logo um mergulho de boas-vindas numa cachoeira. Para banho, o Poção da Maromba é um dos melhores. Pouco acima está o Escorrega, o trecho mais famoso e frequentado do Rio Preto. Mas para se chegar até lá é preciso enfrentar as condições precárias da estrada, que só vai piorando a partir da vila de Mauá, passando por Maringá, até chegar à Maromba. Uma pedida diferente é descer o rio, seja sobre uma boia, no melhor estilo lazy river dos parques aquáticos, seja em um caiaque, com uma pitada a mais de aventura. Mas é melhor reservar esse programa antes da viagem, para chegar com tudo já agendado.

Com a alma lavada e a cabeça fresca, a fome vai começar a bater. Um bom lugar para o almoço é o restaurante Babel, que fica em lugar de acesso complicado: ou seja, é melhor ir até lá durante o dia. Na ida (ou na volta) é possível passar no Capril Maluvito?s, que além de ótimos queijos de cabra também produz e vende cogumelos igualmente de alta qualidade, entre eles exemplares mais raros, como o shimeji rosa. Se o objetivo da viagem é explorar as cachoeiras, vale a pena aproveitar e dar uma esticada até o Poço das Antas, no Rio Marimbondo.

Com poço e queijo, ou não, o restaurante Babel é um daqueles que justificam inteiramente algum sacrifício para se chegar. Dirigindo com cautela, qualquer carro vai até lá. Num local agradável, cercado de verde, e com amplos janelões que valorizam a paisagem, o casal Daniela Keiko e André Murray serve uma cozinha refinada, com forte inspiração franco-italiana. Para começar, capuccino de cebola com funghi porcini (R$ 24) e figos ao mel e balsâmico com queijo de cabra (R$ 24). Para o prato principal, uma boa sugestão é o Alcantilado (R$ 58), uma canela de cordeiro cozida à perfeição ao mel e especiarias, servida com polenta trufada e cebola assada. Outra? O inusitado fettuccini caseiro de curry com truta e aspargos frescos (R$ 48).Vale a pena investir no menu degustação (R$ 145).

Para fazer a digestão, uma boa pedida é bater pernas por Maringá, passeando tanto pelo lado carioca, com muitas lojinhas simpáticas, quanto pelo mineiro, onde predominam os bons restaurantes e pousadas, atravessando a ponte sobre o Rio Preto, que divide os dois estados. Difícil é resistir fazer a umas comprinhas de produtos locais na "delicatessen rural" O Fino da Roça, que vende produtos regionais, como mel, queijos e biscoitinhos caseiros, além de vinhos e artigos importados e de outras partes do Brasil.

Antes do jantar, para preparar o corpo para a noite, poucas coisas podem ser tão deliciosas quanto fazer uma sauna, equipamento obrigatório em qualquer pousada boa na região, seguida de um belo banho de rio, no caso da Casa Bonita, ou piscina de água natural, no caso da Terras Altas, duas das melhores opções de hospedagem em Mauá.

Para o jantar do sábado, uma escolha certeira é o Rosmarinus, um lindo casarão vermelho em Maringá, com jardim precioso onde encontramos parte dos temperos usados na cozinha. Um dos campeões de pedidos é a truta Visconde de Mauá (R$ 49,70), um filé desse peixe em versão salmonada, preparado numa crosta delicada com amêndoas, avelãs e farinha de milho, com um fantástico molho de azedinha, guarnecido com um purê de batatas com ervas bem cremoso. Um prato leve, fresco, saboroso e surpreendente. Assim como a Visconde de Mauá que o batiza.

Na despedida, tirolesa, motos, linguiça e vinho

Já que no inverno fica quase impossível, devemos aproveitar as cachoeiras enquanto é quente (relativamente quente, que fique claro, porque as águas são frias mesmo no calor do verão). Depois do café da manhã dominical criteriosamente preguiçoso, hora de mexer o corpo. Os dois melhores conjuntos de cachoeiras estão em território mineiro. O roteiro dos Gigantes não tem esse nome à toa, passando pelas maiores quedas d?água da região. É programa de quase um dia inteiro, que exige a companhia de guias e alguma disposição. Mais fácil, e tão agradável quanto, é visitar o complexo do Vale do Alcantilado, onde há uma série de cachoeiras alcançadas por trilha bem sinalizada, que pode ser percorrida com calma e sem auxílio de guias. Há ótimos poços para banho, e um famoso caldinho de feijão (R$ 6) servido no bar do Sítio Cachoeiras do Alcantilado, que cobra ingresso (R$ 8) para visitar as quedas d'água.

Ali pertinho está outro complexo de entretenimento, o Corredeiras (ingresso a R$ 29), que tem boia-cross, piscina natural e trilhas, além de outras diversões, como arvorismo, escalada e tirolesa, que são cobrados à parte (há pacotes que combinam dois ou mais desses programas). No mesmo lugar funciona o Museu Duas Rodas (R$ 15), imperdível, dono do maior acervo de motos, bicicletas e afins no Brasil.

Quando o estômago roncar, o melhor a se fazer é seguir para o restaurante Gosto com Gosto, para saborear a cozinha da chef Mônica Rangel, que equilibra com sabedoria a tradição da cozinha mineira com criatividade e muito rigor na escolha dos ingredientes e na técnica de preparo dos receitas. As linguiças produzidas ali mesmo são fabulosas, e o trio (de pernil, cordeiro e frango) acompanhado de bolinhos de mandioca com queijo é delicioso ? para acompanhar, peça uma pinga entre as centenas disponíveis na carta (a lista de vinhos também é das melhores). Para a escolha do prato principal é que a coisa complica um pouco. Porque o frango assado temperado com canela, servido com um inacreditável arroz de quiabo, é uma coisa de maluco. Mas o tutu à mineira também deixa saudades, e a costelinha de porco assada longamente é a melhor que já comi na vida. Para acompanhar, o vinho da casa (R$ 39), produzido por Paulo Laureano, no Alentejo fica uma maravilha (com os três pratos).

Subir a serra e não dar uma dormidinha depois do almoço não faz muito sentido, não é? Façamos isso, mas não sem antes dar uma passada na fábrica Bolo Húngaro, que produz essa obra de arte, uma massa deliciosa, enriquecida com canela, passas, nozes, castanha-do-pará e açúcar mascavo.

Depois, é só sair para o jantar de encerramento. Para quem está hospedado em Mauá, uma boa pedida para é o restaurante da pousada Terras Altas, que tem a mais linda adega do pedaço, muito bem abastecida. Da cozinha saem receitas como ossobuco com risoto de açafrão, preparado com absoluta competência. Já os que estão em Maringá podem escolher o Champignon, que tem cardápio dedicado aos cogumelos, que aparecem nas mais variados versões.

Não há mais o que se fazer além de ir direto para cama, para acordar cedo ainda a tempo de chegar ao trabalho. E descer a serra com calma, aproveitando a vista da nova estrada.

Viagem está mais rápida e segura

Distraído com a paisagem verdejante das montanhas, tomei um susto quando cheguei ao Alto da Serra, um mirante a 1.300 metros de altitude, ponto culminante do trajeto, quando a estrada a caminho de Mauá começa a descida em direção à cidade. Acostumado a demorar cerca de uma hora para fazer o trajeto de Penedo até lá, foi uma grata surpresa demorar menos da metade do tempo ? e isso dirigindo calmamente e sem comprometer o carro. Nossa saúde também está mais protegida, porque no recente pacotes de mudanças estruturais em Mauá foi incluída a construção de diversas estações de tratamento de esgoto, e hoje 90% desses resíduos não mais poluem os rios da região.

Muita gente foi contrária à obra por acreditar que o fluxo de turistas maior é uma ameaça à natureza e à estrtutura social de Mauá. Mas foram voto vencido. Inaugurada no finalzinho do ano passado, em meio a polêmicas, a primeira estrada-parque do Estado do Rio ainda não está completa: faltam mirantes, passagens para animais atravessarem a pista e centro de visitantes. Mas a pavimentação, a contenção de encostas e a sinalização estão prontas.

Lá em cima, porém, pouca coisa mudou. Pegando à direita, passando pela vilinha de Mauá, a estrada que conduz a Campo Alegre está em obras. No sentido oposto, em direção a Maringá e Maromba, tudo continua igual. Até Maringá a estrada ainda é ruim, mas dá para encarar com qualquer carro, dirigindo devagar. Depois, até Maromba, é que a coisa fica feia, uma buraqueira danada. Dá para enfrentar, mas é preciso paciência para driblar as crateras, as pedras e outros relevantes obstáculos difíceis de serem superados pelos que não estão em veículos 4x4.

Faz parte da segunda etapa do projeto a pavimentação até Maromba, o que deve tornar mais fácil mergulhar na Cachoeira do Escorrega. Mais fácil e mais caro, porque outra polêmica que se abateu sobre a cidade recentemente foi a compra da área pelo Instituto Chico Mendes ? órgão vinculado ao Ministério do Meio Ambiente, responsável pela administração das unidades de conservação federais ? que pretende cobrar ingresso do visitante.

Serviço

Onde comer

Babel: Vale do Pavão. Tel. (24) 3354-5936. babelrestaurante.com

Champignon: Alameda Gastronômica de Maringá-MG. Tel. (24) 3387-1523. restaurantechampignon.com.br

O Fino da Roça: Estrada Maringá-Maromba, Maringá. Tel. (24) 3387-1719.

Gosto com Gosto: Rua Wenceslau Bráz 148, Mauá. Tel. (24) 3387.2004. gostocomgosto.com.br

Rosmarinus: Estrada Visconde de Mauá-Maromba, Maringá-RJ. Tel. (24) 3387-1550. rosmarinus.com.br

Truta Rosa: Vale de Santa Clara. Tel. (24) 3387-1149.

Warabi: Estrada Maringá-Maromba km 7,5, Maringá-RJ. Tel. (24) 3387-1143.

Passeios

Corredeiras: O complexo de lazer tem bar, restaurante, trilhas, tirolesa, piscinas naturais e o Museu das Duas Rodas (R$ 15). O ingresso custa R$ 29, e inclui várias atividades ? outras, como a tirolesa (R$ 17), são cobradas à parte. Vale do Alcantilado. Tel. (24) 9268-0979. museuduasrodas.com.br

Remorini Ecoaventuras: Tem o mais completo cardápio de atividades ecológicas e de aventura na região, incluindo boia-cross, rapel, escaladas e trilhas as mais variadas (inclusive no Parque Nacional do Itatiaia). remoriniecoaventuras.com.br

Rent a Horse: Duas horas de cavalgada custam R$ 60. Tel. (24) 9982-8852. cavalgadasviscondedemaua.com

Sítio Cachoeiras do Alcantilado: O ingresso, que dá acesso às cachoeiras, custa R$ 8. Vale do Alcantilado. Tel. (24) 9264-5146. cachoeirasdoalcantilado.com.br

T&T Adventures: Organiza vários roteiros pela região, incluindo canoagem e rafting. Tel. (24) 3387-1080.

03 Feb 2012 15:37:08

Leitores do Trip Advisor escolhem destinos e hotéis preferidos

Dentro das incontáveis listas que a virada dos anos rende, uma delas tem um apelo especial: a do site de resenhas Trip Advisor, por ser resultado dos votos de milhões usuários da rede. Na verdade, são várias listas e prêmios: os 25 melhores hotéis (alguns países têm as suas próprias), melhores praias e melhores destinos para comer. Veja alguns destaques:

Destinos

Uma lista mundial feita por viajantes e não profissionais tem suas diferenças. Em vez de obscuros destinos asiáticos e africanos em destaque, a lista do Trip Advisor tem Paris (4º), Rio de Janeiro (5º), Nova York (6º), Roma (7º), Londres (8º), Barcelona (9º), Jerusalém (13º), Praga (15º), Buenos Aires (17º) e até Las Vegas (no último lugar, 25º). Os três destinos mais votados foram em primeiro, a Cidade do Cabo, na África do Sul; em segundo, Sydney, na Austrália; e em terceiro, Machu Picchu, no Peru.

Hotéis

Na lista brasileira, uma surpresa: o Villa Bahia, em pleno Pelourinho de Salvador, ficou em primeiro lugar Em segundo, a Pousada da Azeda, em Búzios. Terceiro, o Hotel Cataratas, da Orient Express, no homônimo ponto turístico no sul do país. Consagrados hotéis brasileiros ficaram em posições mais abaixo, como o Emiliano (7º) e o Unique (20º) em São Paulo, e o Copacabana Palace (11º), no Rio.

Na lista mundial, entre os cinco primeiros lugares, há dois hotéis de Belize: o Phoenix Resort, em San Pedro, ficou em primeiro. E o Hamanasi Adventure and Dive Resort, em Hopkins, em terceiro. Em segundo, os Anastasis Apartments, em Imerovigli, na Grécia.

Praias

Na lista mundial, nenhuma brasileira entrou. As praias caribenhas dominaram a lista. Em primeiro lugar, ficou a praia de Providenciales, nas paradisíacasTurks & Caicos, no Caribe. O Trip Advisor destaca que é uma ótima praia para família e mergulhadores. Em segundo lugar, a ilha de Boracay, nas Filipinas, pequena mas repleta de praias. Em terceiro, a Palm Beach, também caribenha, em Aruba. Playa de Carmen e Tulum, no México, também estão na lista.

As praias brasileiras estão contempladas na lista da América do Sul e Central. Búzios, em 5º, é definida como a ?Wall Street? do litoral, por ter mais de 20 praias, galerias de arte, clubes e butiques. Porto de Galinhas, em 8º, foi considerada uma praia boa para relaxar, por não ficar lotada nem ter vida noturna. A primeira praia dessa lista foi Santa Teresa, na Costa Rica, com boa infraestrutura hoteleira e mar perfeito.

Gastronomia

As listas gastronômicas são votadas por regiões ou países. No Estados Unidos, a capital da boemia Nova Orleans venceu por seu delicioso churrasco e comida de influência africana e francesa. Entre as cidades europeias, Florença, na Itália, bateu Paris, que ficou em segundo lugar. Os ingredientes simples, mas perfeitos e os vinhos toscanos levaram a cidade italiana à vitória. Na lista da América do Sul e Central, a vencedora foi Buenos Aires, na frente de Lima (3º), no Peru, e do Rio (9º). Na Ásia, os temperos tailandeses de Bangoc ganharam a preferência dos leitor. Na região do Pacífico Sul, a australiana Melbourne ganhou por ser cosmopolita e oferecer uma variedade de ótimas opções. Canadá e Índia mereceram lista própria. No país do Hemisfério Norte, Niagara-on-the-lake teve preferência em detrimento das grandes cidades. Na Índia, os vegetais apimentados de Mumbai se destacaram.

02 Feb 2012 19:54:30

Campari volta às origens em Milão

Marco na história do aperitivo Campari, o bar da Galleria Emanuele Vittorio II, na Piazza Del Duomo, em Milão, voltou a ter seu nome original: Camparino, como foi inaugurado em 1915 por Davide Campari, filho do criador da bebida, Gaspare.

O Camparino surgiu como um "irmão mais novo" do Caffè Campari, de Gaspare, mas acabou por mudar a história dessa marca. Foi quando Davide instalou no local um sistema hidráulico que garantia o fluxo contínuo de club soda da adega até o bar, facilitando a mistura com o Campari, que se tornou a maneira clássica de se servir a bebida.

Decorado em estilo art nouveau, o bar logo virou referência de elegância na cidade e se mantém badalado até hoje. Para comemorar a ?volta às origens?, o Camparino inaugurou uma placa comemorativa, feita pelo artista italiano Ugo Nespolo.

Outras informações no site camparino.it

01 Feb 2012 20:15:32

Na trilha (sonora) dos megafestivais

As horas de engarrafamento até a Cidade do Rock, onde aconteceu o Rock in Rio, ano passado, vão parecer uma volta pelo quarteirão depois que você ler esta reportagem. Tem uma galera que embarca em voos longos (com conexões demoradas), enfrenta fila de imigração, atravessa deserto, acampa debaixo de chuva.... Tudo para ver de perto suas bandas e artistas favoritos. São fãs de música que frequentam os maiores festivais do mundo, como o Coachella, na Califórnia; o Roskilde, na Dinamarca, ou o Glastonbury, na Inglaterra. Além de promover dezenas de shows sensacionais num único fim de semana, esses eventos proporcionam experiências inesquecíveis, reunindo várias formas de arte em um ambiente de confraternização. Os cenários também são incríveis. A maioria dos festivais acontece em lugares que, por si só, já renderiam ótimas viagens.

Um circuito americano de Disneylândias da música pop

Um evento do porte do Coachella Valley Music & Arts Festival, que acontece sempre em abril, na Califórnia, é como um parque de diversões da música pop. Num gramado do tamanho de um bairro, diversos palcos espalhados recebem alguns dos melhores shows do mundo. Pessoas usando roupas leves e coloridas estão por todos os lados, andando, assistindo a uma apresentação ou esparramadas sob alguma sombra. Durante três dias ou mais, ninguém quer saber de nada além de se divertir. É como estar numa outra dimensão.

Festivais anuais nesses moldes vêm se espalhando pelo mapa-múndi nos últimos anos. O Brasil, por exemplo, recebe grandes eventos, como o SWU, em São Paulo. Mas os maiores, mais organizados e com as melhores atrações no line up, estão nos Estados Unidos e na Europa. No país de Barack Obama, o calendário começa em março, quando rola o badalado South By Southwest, em Austin, no Texas, e continua com megafestivais como o Coachella, perto de Los Angeles, no deserto da Califórnia, e o tradicional Lollapalooza, em Chicago, em agosto.

? Não tem um festival no Brasil que reúna tantas bandas boas. E vale muito pela viagem também. Se você vai com amigos, a experiência toda fica mais legal ? diz a estudante de Artes Plásticas Rafaela Rocha, que já esteve no Coachella e, ano passado, foi ao festival Big Chill, a poucas horas de Londres, na Inglaterra. ? Tem gente que viaja para praticar esportes; outros, para fazer compras. No caso dos festivais, um grupo de amigos viaja junto para dividir experiências musicais.

Evento gigantesco que acontece todo ano na pequena cidade de Indio, o Coachella é o festival de maior repercussão nos EUA. Astros como Madonna, Paul McCartney, Prince, Gorillaz, Daft Punk e toneladas de bandas alternativas já se apresentaram no deserto. Momentos memoráveis, como o retorno do Rage Against the Machine após dez anos de hiato e o dueto da popstar Beyoncé com o rapper (e marido) Jay-Z aconteceram lá. Este ano, entre as principais atrações, estão a cultuada banda Radiohead, que não faz shows desde 2009, e um set com Dr. Dre e Snoop Dogg, ídolos do hip-hop.

Ao todo, serão mais de 130 shows, distribuídos entre cinco palcos, ao longo de dois fins de semana. Tendas de música eletrônica, instalações artísticas, estandes de games e até uma roda-gigante ajudam a criar o ambiente de descontração. O público (cerca de 80 mil por dia) usa pouca roupa, por causa do calor, e o pôr do sol púrpura do deserto dá ares místicos ao evento, cuja organização é muito profissional. As apresentações começam pontualmente e há várias praças de alimentação. O único problema é o acesso. De Los Angeles, são quase três horas de estrada.

Os ingressos para o Coachella este ano já se esgotaram. Portanto, quem se animou pode se organizar para 2013, e aí pensar em combinar o festival com algumas semanas viajando pela costa da Califórnia (que tal?). Ou escolher outro megafestival americano, como o South By Southwest e o Lollapalooza. Tem ainda o Bonnaroo, em Manchester, no estado do Tennessee, em junho, que se pode casar perfeitamente com uma viagem pelo do Sul dos EUA. O line up deste ano ainda não foi divulgado, mas em 2011, a programação incluiu Eminem, Arcade Fire, The Strokes, Mumford & Suns, Beirut e muito mais.

Nos quatro dias de evento, a população na pequena Manchester sobe de 10 mil para 100 mil pessoas. Considerado pela revista "Rolling Stone" o melhor festival de 2008, o Bonnaroo é conhecido pela militância ecológica. Numa das edições, os organizadores bolaram a seguinte promoção: quem enviasse uma carta para um deputado apoiando a causa ambiental poderia baixar gratuitamente 17 músicas de artistas que se apresentariam naquele ano. "O Bonnaroo revolucionou o festival de rock moderno", escreveu o jornal "The New York Times".

? A filosofia contagia o público, e ninguém joga lixo no chão. Também fiquei impressionado com o quanto as pessoas são apaixonadas por música ? relata o publicitário Rafael Souza, que emendou o festival ano passado com uma viagem para Nashville, capital da música country, e a jazzística Nova Orleans. ? Nem é tão perto, mas sempre quis dirigir pelo Sul dos EUA.

O cineasta Rodrigo van Der Put e o gerente de marketing Miguel Cariello, amigos de infância, também se jogaram na estrada depois do Lollapalooza de 2010. Eles dirigiram de Chicago até Miami, pegando um desvio para Nova Orleans. Na bagagem, carregaram a memória de shows antológicos de Lady Gaga, Green Day, Phoenix e muitos outros. Pela primeira vez, o Lollapalooza vai acontecer no Brasil, em abril deste ano. Mas, com 43 shows em dois dias, é uma versão muito menor do que a original.

Na cidade de Al Capone, o circo da música pop tem por volta de 130 atrações em três dias. São oito palcos diferentes, num parque arborizado às margens do Lago Michigan, no centro de Chicago. É um festival "fácil" em vários aspectos. Você não precisa pegar estrada nem acampar. Basta tomar um voo, hospedar-se numa das centenas de hotéis locais e usufruir da rede de transporte público. Fora que a metrópole em si, com ótimos restaurantes, museus, praças e casas de entretenimento merece, no mínimo, uma esticada de três dias.

? O festival foi muito bom. E tem muita coisa para fazer na cidade também. O lugar onde rola o evento fica perto da Millenium Park, por exemplo, onde tem aquela escultura famosa, "Cloud gate", do Anish Kapour. Isso sem falar dos museus e lojas. Tudo ali no centro de Chicago ? descreve Van Der Put.

O South by Southwest, em Austin, também se vale da infraestrutura da metrópole para acolher os forasteiros. O formato do evento difere da maioria porque os shows ocorrem dentro de pubs, boates, parques e até igrejas espalhados pela capital do Texas. São mais de duas mil performances em cerca de 90 endereços. Às vezes, é preciso ficar ligado para garantir lugar num bar que vai abrigar determinado show. O REM, por exemplo, já tocou num pub para 800 pessoas. Foi um set inesquecível, para poucos. Além de um evento de música, o SXSW é também um ciclo de debates e um festival de cinema, cuja importância cresce ano após ano.

Cidade medieval, fazenda e capitais abrigam festivais europeus

O avô dos grandes festivais é o célebre Woodstock, que, mergulhado numa atmosfera de contracultura em 1969, reuniu artistas como The Who e Janis Joplin na cidade de White Lake, perto de Nova York, nos EUA. Mas, desde então, foi na Europa que a filosofia desse tipo de evento se propagou de maneira mais intensa. Enquanto os americanos Coachella e Lollapalooza ocorrem desde os anos 90, festivais como Glastonbury, na Inglaterra; Roskilde, na Dinamarca, e Rock Werchter, na Bélgica, acontecem desde os anos 70 no verão do Velho Mundo. Bandas antológicas como Rolling Stones, Nirvana e The Smiths pisaram nesses palcos.

A Inglaterra sozinha pode ser chamada de um "festival de festivais", por sediar mais de 400 eventos ao longo do ano, em lugares como Leeds, Reading e Isle of Wight. Numa fazenda a quatro horas de Londres, o Glastonbury é o mais famoso deles. Ano passado, quando U2, Beyoncé e Coldplay baixaram no evento, foram vendidos 130 mil ingressos. Mas o festival tem seus perrengues. O público pega pesado nas drogas, a chuva constante deixa o acampamento quase impraticável e há casos de violência registrados ao longo dos anos.

Quem quiser ir a um festival na terra da Rainha Elizabeth sem se enfiar numa selva pode procurar eventos um pouco menores, como o Isle of Wight, em junho, na pitoresca ilha de mesmo nome, ou o Big Chill, nos arredores do Castelo de Eastnor, na cidade histórica de Herefordshire. Excepcionalmente este ano, o Big Chill, que rolaria em agosto, foi cancelado por conta dos Jogos Olímpicos de Londres. Já o Isle of Wight, que abrigou uma performance mágica de Jimi Hendrix, em 1970, acontece com line up de gala: Bruce Sprigsteen & The E Street Band, Pearl Jam, Noel Gallagher?s High Flying Birds e várias outras atrações.

? Festivais são parte da cultura na Europa. É difícil conhecer alguém que nunca foi a um deles ? explica o inglês David Peterson, que esteve nos eventos de Glastonbury, Reading e Roskilde. ? O meu favorito é o Roskilde. O ambiente é amistoso e as dinamarquesas, receptivas.

O festival homônimo da capital medieval da Dinamarca começou envolto por um clima hippie. Hoje, abriga mais de 180 shows em cinco dias, para 80 mil pessoas. Este ano, estão confirmados Björk, Friendly Fires e Bon Iver, entre outros. Assim como no Glastonbury, quase todo o público do Roskilde fica acampado, e a abertura do camping é uma atração à parte. Milhares chegam horas antes e disputam os melhores lugares para as barracas. A corrida dos pelados também é engraçada. Homens e mulheres totalmente nus dão a volta no camping. Os primeiros colocados ganham ingressos para o ano seguinte.

? O único problema dos festivais da Europa é que chove muito ? avisa o produtor cultural Pedro Seiler, que já foi ao Reading e ao Rock Werchter, além de várias vezes ao Coachella. ? Nesses eventos, você vê seus artistas preferidos e fica por dentro do que de mais relevante está acontecendo no mundo. Tudo em condições agradáveis, com shows, som e luz perfeitos, sem filas etc.

O Rock Werchter vai de 28 de junho a 1 de julho, no vilarejo de Werchter. Num país com fama de muito pacato, o festival significa um fim de semana de exceção, com shows épicos e público de diferentes países próximos. O evento quase sempre acontece na mesma semana do Roskilde e, por isso, muitas bandas tocam em ambos os festivais no mesmo ano. Em 2012, Pearl Jam, Red Hot Chilli Peppers, Blink 182 e The Cure são algumas das principais atrações.

Quem ficou com saudade do Rock in Rio, e não quer esperar até a próxima edição, em 2013, pode correr para as versões do evento em Portugal e Espanha. Em Lisboa, o RIR promove shows de Metallica, Lenny Kravitz, Mastodon, Ivete Sangalo e outros. Já em Madri, vai ter Springsteen, Red Hot e muito mais.

01 Feb 2012 20:14:32

Tudo o que você precisa saber sobre cada festival de música

Festivais realizados em lugares afastados dos grandes centros, como o americano Coachella e o dinamarquês Roskilde, oferecem áreas de acampamento organizadas, limpas e com boa infraestrutura de banheiros Nas metrópoles, eventos como Lollapalooza e South By Southwest contam com a rede local de hotéis para abrigar seus forasteiros. Tudo o que você precisa saber sobre cada festival está detalhado nos sites dos eventos.

South by Southwest: O festival acontece em Austin, capital do Texas. Este ano será de 9 a 18 de março. Ainda há ingressos disponíveis (os preços variam de US$ 595 a US$ 1.295), mas, a esta altura do campeonato, são poucas as opções de hospedagem. De qualquer maneira, quem quiser ir deve se inscrever no site sxsw.com. É nessa página que você vai se informar sobre as dezenas de hotéis conveniados. Muitos ficam perto dos locais do evento, mas há vans para quem se hospedar um pouco mais longe.

Coachella: O Coachella Valley Music & Arts Festival é realizado na cidade de Indio, no interior da Califórnia. Saindo de Los Angeles, o melhor é alugar carro ou pegar ônibus (procure pelas passagens no site Greyhound.com). São três horas de viagem. A maior parte do público fica no acampamento do festival (informe-se no site Coachella.com). Outros preferem hotéis ou casas para alugar em cidades como Palm Springs e Palm Desert, mas, nesse caso, o carro é obrigatório, porque esses locais ficam a 40 minutos do festival. Este ano, o evento será realizado de 13 a 15 de abril e de 20 a 22 de abril, mas os ingressos já acabaram. Programe-se para 2013!

Bonnaroo: O aeroporto de Nashville, capital do Tennessee, fica a 100km de Manchester, onde acontece o festival, de 7 a 10 de junho. Você pode fazer o trajeto numa van do evento ou pegar um ônibus da Greyhound (o terminal fica a dois quilômetros do Bonnaroo). O acampamento é a principal opção de hospedagem, mas há diversos hotéis nos arredores. Informe-se sobre tudo no site Bonnaroo.com. Os ingressos custam US$ 260 e valem para o acampamento também.

Lollapalooza: Instalado anualmente no Grant Park, às margens do Lago Michigan, no centro de Chicago, o Lollapalooza fica perto de centenas de hotéis e albergues. Mas é bom reservar com antecedência, porque as opções mais próximas acabam rapidamente. No site Lollapalooza.com, há uma lista de hotéis e albergues indicados pelo evento, que, em 2012, acontece de 3 a 5 de agosto. Os ingressos serão vendidos a partir de março. Os da última edição custavam de US$ 185 a US$ 215.

Glastonbury: O maior festival da Inglaterra vai dar uma pausa devido às Olimpíadas de Londres, mas você já pode se registrar para a edição de junho de 2013. O evento acontece numa fazenda em Pilton, a três horas de Londres. Pode-se chegar lá de ônibus, trem ou carro. Quase todo o público fica acampado ou em trailers. O site Glastonburyfestivals.co.uk tem outras informações.

Isle of Wight: Para chegar à maior ilha da Inglaterra, você precisa se dirigir, de trem ou ônibus, a um dos três pontos no Sul do país de onde saem ferryboats para Isle of Wight. São eles: Portsmouth Harbour, Southampton Central e Lymington Pier. Como o evento atrai muito público, é preciso comprar seu bilhete marítimo com bastante antecedência. O site do evento (Isleofwightfestival.com) lista as três operadoras que fazem o trajeto de cada ponto: Wightlink, Red Funnel e Hoovertravel. Entre as opções de hospedagem, estão a área de camping e os hotéis locais. Os ingressos custam 160 libras esterlinas (cerca de R$ 440) ou 190 libras (R$ 520), com acampamento incluído. Este ano, o Isle of Wight acontece de 22 a 24 de junho.

Rock Werchter: A 30km de Bruxelas, na Bélgica, a pequena Werchter recebe mais de 80 mil pessoas durante o festival (Rockwerchter.co.be/en). Para chegar, pode-se ir de ônibus ou trem para Lueven, de onde partem os ônibus especiais do evento. O camping é a principal forma de hospedagem, embora algumas pessoas prefiram alugar casas nos arredores. O ingresso para os quatro dias (28 de junho a 1 de julho) custa 195 (cerca R$ 450), incluindo passagem de ônibus de qualquer cidade belga até Lueven e o trajeto de Lueven até o Rock Werchter. A estadia no camping custa 18 (R$ 42).

Roskilde: A cidade medieval que dá nome a um dos maiores festivais da Europa fica a 35km de Copenhague (alguns aventureiros fazem o percurso de bicicleta). No aeroporto da capital da Dinamarca, você pode pegar um trem direto para Roskilde. No site do evento (Roskilde-festival.co.dk/uk) não há indicações de hotéis, já que quase todo mundo fica acampado. São 75 mil pessoas em barracas. Este ano, o festival acontece, oficialmente, de 5 a 8 de julho, mas algumas atividades começam dia 30 de junho. Os ingressos válidos para todos os dias custam 240 (em torno de R$ 550) e dão direito ao acampamento.

01 Feb 2012 14:54:09

Turistas deverão pagar nova taxa para visitar Noronha

A partir de abril, quem visitar o arquipélago de Fernando de Noronha deverá pagar uma taxa de ingresso de R$ 65, para brasileiros, ou R$ 130, para estrangeiros ? o valor vale por dez dias. Os preços foram estabelecido por uma portaria de 30 de dezembro de 2010, do Ministério do Meio Ambiente, para ajudar na manutenção da nova administradora dos serviços turísticos do Parque Nacional Marinho, a EcoNoronha. A empresa é uma filial da Cataratas do Iguaçu S/A, que há 11 anos presta o mesmo serviço no parque na fronteira de Brasil e Argentina. Em contrapartida, a companhia promete investir R$ 8 milhões, em dois anos, em infraestrutura.

Do valor da nova taxa, 14,7% será destinado ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que permanece administrando as questões ecológicas do Parque Nacional Marinho. O instituto federal também recolhe a taxa de preservação ambiental (atualmente são R$ 43,20 por dia).

? Esse processo de concessão já vem acontecendo no Brasil com rodovias e parques nacionais. É uma prova de que a iniciativa privada tem melhor capacidade gerencial de administrar a visitação aos parques do que os órgãos governamentais, que estão mais voltados à fiscalização da preservação do meio ambiente ? diz o gerente geral da EcoNoronha, Celso Vitrio Florêncio.

São 15 anos de concessão, com possibilidade de renovar o contrato por mais cinco. No último ano, a EcoNoronha aprovou o plano de obras na ilha para começá-las ainda neste mês, além de selecionar materiais que sejas adequados à fragilidade do ecossistema local.

Na primeira fase, que deve durar seis meses, vão ser construídos os chamados Pontos de Informação e Controle (PIC) nas praias do Golfinho, Sueste e do Leão. A trilha até o Golfinho, com 1,5 quilômetro de extensão, vai ser adaptada para acesso a cadeirantes. Nos PICs, estão previstos estacionamento, banheiros, duchas, guarda-volumes, locação de bicicletas, equipamentos de mergulho, mapas, lanchonete e loja de suvenires.

Bicicletas, trilhas e mirantes

Golfinho: A praia vai ganhar estacionamento, banheiros, duchas, guarda-volumes, locação de bicicleta para passeio nas trilhas, mapas, lanchonete e loja de suvenires. A estrutura é chamada de Ponto de Informação e Controle (PIC). A trilha de 1,5 quilômetro será acessível a cadeirantes. Essas obras estão previstas para serem inauguradas em julho.

Sueste: Além do PIC, igual ao do Golfinho, incluindo aluguel de equipamento para snorkel e mergulho livre, a Praia do Sueste terá um deque para observação. Também está previsto para ser entregue em julho.

Leão: Uma das principais áreas de desova de tartarugas, a praia terá um PIC e um mirante, que devem estar prontos em julho.

Atalaia: Obras de melhoria da trilha do Atalaia estão previstas na segunda fase do cronograma. Começam em julho e duram seis meses.

Praça Central: Na terceira fase do projeto, o Centro de Visitantes da ilha vai ser revitalizado e ganhará uma exposição permanente de conscientização ecológica. A praça central também passará por reformas.

31 Jan 2012 12:37:33

Castelo, bisão e uísque nas Highlands

EDIMBURGO - São cerca de 350 quilômetros, cinco horas de viagem e de zero vontade de sair da estrada. Com uma paisagem que inclui campos com pontes arqueadas feitas de pedras, castelos medievais e montanhas cobertas de neve, o passeio até a Trilha do Malte, nas Highlands, norte da Escócia, se encaixa bem naquela categoria de viagem em que o melhor não é o destino, mas a jornada. Seguindo por rotas turísticas a partir de Edimburgo, o caminho que leva à região de Speyside, onde estão algumas das melhores destilarias de uísque do mundo, pode ser feito de carro em dois dias, com bastante calma para não perder nenhum detalhe.

Na mala, é fundamental um bom casaco para aguentar o frio das montanhas nevadas e também óculos escuro para enxergar bem os campos verdes, que mesmo no alto inverno do Reino Unido teimam em se manter presentes por vários quilômetros. Mas a viagem não acaba depois de estacionado o carro. Vem então a gostosa missão de escolher quais das oito destilarias que fazem parte da rota você quer visitar. Entre as opções estão a tradicional Glenfiddich, que mantém até hoje a casa que, reza a lenda, foi construída pelas próprias mãos de seu fundador, ou a Strathisla, onde são produzidos os uísques da Chivas, produtora do cultuado Royal Salute, criado em homenagem à Rainha Elizabeth II.

Depois de visitar Edimburgo, seu castelo e museus, vale a pena botar o pé na estrada. Seguindo pela A9, uma das principais rodovias que leva às Highlands, chega-se à Speyside, a terra dos uísques. Para aproveitar melhor o caminho, siga pela rota turística, sinalizada por placas marrons. Um desvio providencial para os que não estão com pressa. O trajeto é mais longo, mas vale cada segundo, acredite.

Logo depois de sair da estrada principal, seguindo pela A93, começa o percurso chamado Royal Deeside, que acompanha o Rio Dee. É nesse trajeto que estão o Castelo de Braemar, que dependendo da época do ano pode ser visitado, e o Castelo de Balmoral, comprado pela Rainha Vitória em 1848, e que atualmente funciona como residência de verão da família real britânica. Reza a lenda que a rainha teria adquirido o castelo, todo reconstruído no estilo baronial, depois que o antigo dono morreu engasgado com a espinha de um peixe. Verdade ou não, o castelo pode ser visitado, mas apenas durante alguns meses do ano.

O caminho leva até Aberdeen, conhecida como a capital do petróleo da Europa. Caso tenha pouco tempo, deixe a cidade para uma próxima viagem e siga em direção às Cairngorms, as montanhas mais altas de todo o Reino Unido. É nessa região que fica o Parque Kincraig Highland Wildlife, onde correm livres algumas espécies típicas do norte da Escócia, como os bisões, um tipo de búfalo peludo e com chifres. E na medida em que a estrada vai subindo pelas montanhas, aos poucos os campos verdes, com pequenos casebres rodeados de ovelhas (nada mais clichê, mas é verdade), começam a se tornar cada vez mais brancos. Já no alto, com uma paisagem completamente tomada pela neve, chega-se a estações de esqui, como a Coire Cas, bastante movimentada.

Depois de cruzar as Cairngorms, chegamos à região de Speyside, onde começa a Trilha do Malte. São oito destilarias e uma tanoaria (onde são produzidos barris e tonéis de madeira usados na produção de bebida) que podem ser visitadas durante o ano todo. É aqui que se produz um dos tipos de uísque mais apreciados: o single malt. Siga para Dufftown, em Banffshire, onde fica a Glenfiddich. Toda decorada com barris, a fábrica abriu em 1887, e até hoje mantém em funcionamento o prédio original construído por seu fundador, William Grant. O tour mais simples é de graça, e dá uma boa ideia de como funciona uma destilaria.

Depois de assistir a um filme que fala sobre a marca, os visitantes são levados para uma sala com grandes tanques onde o malte, grão que germina da cevada, é misturado em água quente para dissolver e produzir açúcar. O resultado disso passa para grandes tonéis de madeira, com pelo menos seis metros cada um, onde acontece o processo de fermentação. Em seguida os visitantes são levados para um grande sala onde estão alambiques de cobre. É aqui que começa o processo de destilação.

Ao longo de cada etapa, repare na mudança do cheiro da bebida. O mais forte, e também mais agradável, surge já no fim da visita, no armazém, onde o uísque fica guardado em barris de carvalho. O prazo mínimo para o armazenamento é de três anos, mas a maioria fica por mais tempo. Na Glenfiddich, o mínimo são 12 anos. No fim, todos são convidados a degustar três tipos de uísque. Depois do tour, se bater uma fome, aproveite para almoçar no Malt Barn Restaurant, comandando pelo chef Addy Daggart, e provar o tradicional haggis (bucho de carneiro).

Para ver o monstro do Lago Ness

Depois do almoço, é hora de voltar para a estrada. Outra destilaria que vale a pena conhecer é a Glen Grant, em Rothes, na região de Aberlour. Maior que a Glenfiddich, foi fundada pelo irmãos Grant, mas deixou de ser uma empresa familiar e atualmente pertence à marca italiana Campari. Além da visita à fábrica e da degustação de três uísques de 5, 10 e 15 anos, o ingresso dá direito a conhecer também o jardim vitoriano.

Você pode rumar em seguida para Keith, em Banffshire, para conhecer a Strathisla, uma das três destilarias que faz o Chivas Regal e o famoso Royal Salute, produzido na década de 1950 em homenagem à coroação da rainha. A fábrica também faz o tipo blend da bebida, além do single malt. Mas, atenção, na Strathisla as visitas precisam ser agendadas previamente, e são realizadas apenas em determinadas épocas do ano.

A próxima parada pode ser em Inverness, a capital das Highlands. Cortada pelo Lago Ness, a paisagem da cidade é marcada por suas pontes e por seu castelo, onde funciona o Tribunal de Justiça da cidade, além do museu e da galeria de arte. Em Inverness é também onde fica o famoso Fort George, construído em 1769 para conter os ataques dos jacobitas, os highlanders católicos que durante anos mantiveram o sistema de clãs na Escócia, e acabaram derrotados. O forte militar guarda hoje o Regimental Museum, com uma exposição sobre a vida e os hábitos dos soldados escoceses.

Inverness é também um dos pontos de saída para os famosos passeios pelo Lago Ness. O tour é realizado durante todo o ano na região, por várias empresas diferentes, e normalmente é feito de duas formas: a primeira é apenas o passeio pelo lago, mais simples. A segunda opção, para quem tem um pouco mais de tempo, oferece ainda uma visita às ruínas do Castelo de Urquahart, do século XVI.

Mas o grande astro do passeio, claro, é Nessie, como o famoso monstro foi carinhosamente apelidado pelos escoceses. É difícil resistir aos milhares de bonecos de variados tipos e tamanhos que estão à venda em todos os cantos. No porto de saída dos passeios da Jacobite Cruises, uma das empresas que operam durante o ano inteiro, há uma grande réplica de Nessie logo na beira do lago, perfeita para fotos. Se você não conseguir ver o monstro do lago, pelo menos volta para casa com uma prova de que passou por lá.

Serviço:

Trilha do malte Glenfiddich: A destilaria funciona todos os dias, das 9h30m às 16h30m. O tour mais simples é gratuito e dá direito a degustação de três tipos de uísque. Dufftown, Banffshire AB55 4DH. glenfiddich.com

Glen Grant: Abre diariamente, com exceção do período entre 15 de dezembro e 15 de janeiro. O tour, com direito a degustação de uísques e acesso aos jardins, custa 3,50 libras (cerca de R$ 10,50). Rothes, Aberlour AB38 7BS. glengrant.com

Na internet: Outras informações sobre a Trilha do Malte e como agendar uma visita a Strathisla em maltwhiskytrail.com

Loch Ness Jacobite Tours: A empresa é uma das poucas que oferece o tour também no inverno. Um dos pontos de saída é Inverness. Glenurquhart Road. Tel. (44) 1463 233 999. jacobite-co.uk

30 Jan 2012 15:51:38

Novas modalidades aquecem o mercado de seguros de viagem

Nos preparativos de qualquer viagem, contam-se as horas para embarcar, chegar ao hotel promissor ou comer no restaurante recomendado. O que ninguém espera é precisar usar o seguro de viagem, item indispensável em qualquer planejamento e cujo mercado vem crescendo junto com a expansão do turismo brasileiro. O setor, antes dominado pelas empresas especializada em assistência de viagem, ganhou nos últimos anos a presença de gigantes dos ramos de seguros, bancos e cartões de crédito, e chegou à internet. Só não mudou o cuidado na hora da assinatura do contrato, que deve ser claro sobre o tipo de cobertura oferecida.

O vice-presidente da Associação Brasileira de Cartões de Assistência (ABCA), Celso Guelfi, diz que o número de viajantes que contratam planos de assistência cresceu 42% de 2010 para 2011. E deve aumentar ainda mais com a possibilidade de compra online, de forma direta entre a seguradora e o consumidor. Mas as agências de viagem ainda são a maneira mais popular de contratação do serviço.

? À medida em que viaja mais, o brasileiro vai aprendendo que não pode sair de casa sem assistência e a tendência é que o mercado ofereça uma variedade ainda maior de produtos. A presença da internet nesse processo mostra bem essa evolução ? analisa o executivo.

Seguros na internet e no cartão de crédito

Muitas das mais tradicionais empresas do mercado de assistência de viagem, como MIC, GTA e Travel Ace, já oferecem em suas páginas na internet ferramentas para compra online. Há também sites que reúnem várias seguradoras de grande porte, como Porto Seguro e SulAmerica. É o caso, por exemplo, do portal Real Seguro Viagem (seguroviagem.srv.br), onde é possível até comparar planos de empresas diferentes.

A internet atraiu também o Itaú, que recentemente incluiu a contratação de assistência de viagem na lista de serviços oferecidos por seu internet banking. Outros bancos e operadoras de cartão de crédito já enxergam no seguro de viagem uma forma de fidelização.

? O cliente MasterCard que compra uma passagem com o cartão de crédito ou débito está automaticamente segurado durante o traslado. Se alugar um automóvel com o cartão, vai junto o seguro de locação de veículo ? explica o vice-presidente de Relacionamento e Serviços para o Consumidor da MasterCard Brasil, Fábio Estrella.

Essa variedade pode ser vista na cartela de planos oferecidos pelas seguradoras. A GTA, por exemplo, tem 33 opções diferentes, incluindo serviços voltados para cruzeiristas. Praticamente todas as companhias oferecem também planos para a prática de esportes, que contam com cobertura médica em caso de acidentes e recursos para busca e salvamento. Há muitos seguros destinados a estudantes, que costumam ter longa duração e limite de atendimento alto. Menos comuns são as assistências a pessoas com necessidades especiais e gestantes, produtos lançados recentemente pela Travel Ace, e que custam cerca de 50% a mais que um plano padrão. Em geral, as seguradoras costumam também cobrar tarifas mais altas para clientes acima de 70 anos.

Tanta oferta, no entanto, pode ser inútil, na avaliação da advogada do Procon-RJ, Camile Félix Linhares. Ela afirma que muitas coberturas oferecidas já são garantidas por lei.

? O consumidor precisa saber se seu plano de saúde, por exemplo, já não prevê atendimento no exterior. Para perda ou atraso de bagagem, essa já é uma obrigação da companhia aérea. Mas se quiser contratar mesmo assim, precisa ler com muita atenção o contrato. Infelizmente recebemos muitas queixas de não cumprimento por parte das seguradoras ? diz.

Mas há casos em que a contratação de um plano é mais que uma precaução, e sim obrigatória para a entrada no país de destino. Isso vale para os países da União Europeia signatários do Acordo de Schengen, que exige que o turista estrangeiro viaje com um seguro de pelo menos 30 mil.

Apesar de exigirem a comprovação do seguro, Portugal, Espanha, Itália, Grécia e Luxemburgo fazem parte do grupo de países que possuem um acordo com o Brasil para atendimento a brasileiros segurados pelo INSS. Para que o turista seja atendido na rede pública de saúde desses países, basta apresentar o Certificado de Direito a Assistência Médica (CDAM), documento retirado em postos da Divisão de Convênios e Gestão (Dicon), do Ministério da Saúde. No Rio, fica na Rua México 128, e o telefone é 3985-7426. Outros países participantes do acordo são Argentina, Cabo Verde, Chile e Uruguai. Outras informações sobre documentação necessária no site sna.saude.gov.br/cdam/index2.cfm.

30 Jan 2012 14:45:05

Mais voos entre São Paulo e Dallas, e novo voo para Miami

Em meio à reestruturação econômica, a companhia aérea American Airlines anunciou novidades que fortalecem as operações no mercado brasileiro. A partir de 15 de junho, a frequência entre o aeroporto de Guarulhos e o de Dallas/Fort Worth, no Texas, vai passar de sete para doze. Em dezembro deste ano, a rota passa a ser feita com um novo avião, o Boeing 777-300ER, da primeira leva encomendada à fabricadora ainda em 2010. Os novos aviões contam com poltronas que reclinam 180º nas classes executiva e primeira, além de internet sem fio.

No dia 14 de junho deste ano, os voos entre Brasília e Belo Horizonte para Miami passam a ser diários. Atualmente, são cinco voos por semana partindo de Brasília e três da capital mineira.

Ainda em junho, a companhia lança um novo voo conectando Manaus a Miami, com quatro frequências por semana operados pelo Boeing 737-800.

28 Jan 2012 17:50:00

O ?saleiro gigante? da renovação londrina

LONDRES. O príncipe Charles já o chamou de saleiro gigante. Mas o fato é que o Shard, como é conhecido o futuro maior arranha-céu de Londres e da União Europeia, provoca discussões apimentadas muito mais pelo seu simbolismo do que por seus 310 metros de arquitetura modernista encravados nas barbas da cidade antiga.

O Shard e o enorme guindaste que o acompanha já fazem parte da paisagem londrina. A área externa do prédio estará pronta em junho, mas a inauguração da torre deverá ficar para 2013. A ambiciosa obra que o arquiteto italiano Renzo Piano projetou em 2000 fará então companhia, definitivamente, ao belo domo da catedral de Saint Paul e à Tower Bridge. Seus 95 andares farão ainda mais sombra ao já nebuloso ambiente de recessão em que mergulha uma das principais cidades do mundo.

? Podemos mandar os grandes políticos da Europa para o alto da torre e só deixá-los sair de lá quando resolverem a crise da zona do euro ? brincou em dezembro o incorporador do Shard, Irvine Sellar, em entrevista ao diário britânico ?Guardian?.

Quatro andares, a partir do 68, estarão disponíveis para o público apreciar do alto das nuvens a cidade de oito milhões de habitantes e de quase dois mil anos de História. Mais três pisos foram projetados para restaurantes finos, outros 27 para escritórios, e 18 para um hotel e spa cinco estrelas. Foi preciso o investimento de 1,5 bilhão de libras do Banco Central do Qatar para que o projeto seguisse adiante em 2009 e começasse a crescer luxo acima.

? Nós queremos que os londrinos sintam que este prédio pertence a eles ? disse Sellar esta semana. ?Você poderá comer, trabalhar e até dormir aqui. E ainda poderá apreciar a vista do alto da torre.

Alguns vizinhos do empreendimento esperam que aconteça realmente uma mudança efetiva na economia da região que foi, por muito tempo, um dos lados menos prósperos do Rio Tâmisa.

? Eu gosto do design e acho que o prédio promete ? aposta Cherille McNeil-Halward, de 71 anos, dona de uma loja de molduras próxima ao Shard. ? A torre trará gente com dinheiro para gastar aqui, e isto vai ser bom para a vizinhança.

A região administrativa de Southwark, embora seja uma das mais antigas de Londres e vizinha da City, como é conhecida a área do distrito financeiro, está passando agora por um período de reurbanização depois de quase um século de perda de população. Para Tony Travers, diretor do grupo de estudos para a Grande Londres, da London School of Economics, o Shard, que ele chama de ?torre de poder e riqueza num distrito pobre?, é um marco desse novo momento.

? Para trazer transformação, é preciso aceitar a gentrificação ? diz Travers, usando o neologismo que define a chegada de pessoas de maior poder aquisitivo a áreas degradadas.

A construção do Shard foi atingida pela crise de crédito: em 2008 o Crédit Suisse garantira o financiamento da obra, mas voltou atrás após a quebra do Lehman Brothers. E foi salva pelo dinheiro do Qatar, que garantiu seu pedaço na torre reservando dois andares convertidos em dois apartamentos para a família real.

O futuro do empreendimento não está seguro. Além dos qataris, investidores chineses e alguns restaurantes garantiram suas fatias da torre. Mas, num momento de crise em que muitas empresas estão apertando os cintos para reduzir os custos, a maioria dos escritórios ainda está por alugar.

Por fora, o Shard já marcou seu espaço no corpo da cidade. Como a torre vai ser por dentro, dependerá do destino da economia britânica.

 

Noticias del Mundo - Diario O Globo

Diario O Globo, Viagem, Diarios mundiales, nacionales e internacionales. Periodicos, diarios, semanarios, noticias, gacetillas, medios de comunicacion, portales y sitios en Internet, 28 Jan 2012 17:50:00

Guía mundial de diarios y periódicos de todo el mundo, clasificados por países.

Todos los periódicos del día. Toda la prensa de hoy.

Actualidad del mundo, prensa económica, diarios deportivos, periódicos regionales y diarios locales.

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