05 Feb 2012 17:37:50

Líderes políticos da Grécia concordam sobre cortes de gastos

ATENAS - Líderes de partidos políticos na Grécia concordaram com cortes de gastos estimados em 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano - o equivalente a cerca de 3,3 bilhões - disse o primeiro-ministro grego, Lucas Papademos, em comunicado neste domingo, após conversas de mais de cinco horas com os chefes dos partidos de sua coalizão.

O corte inclui medidas como redução de salários e custos não-trabalhistas para tornar a economia do país mais competitiva, disse ele.

Todos os líderes políticos tinham reservas sobre as propostas da "troika" - comissão formada por membros do Banco Central Europeu, a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional (FMI) - para cortes salariais e de investimentos.

Em um país em crise e com uma dívida crescente, o desemprego chegou a 19%. Em razão disso, não só os políticos como muitos sindicatos se opõem a medidas adicionais de austeridade.

Os partidos ainda se opõem a medidas como corte de salários no setor privado, por isso as discussões serão retomadas. Os três líderes políticos, o socialista George Papandreou, o conservador Antonis Samaras e o extrema-direita Giorgos Karatzaferis discordaram sobre as propostas.

O líder do direitista Laos, George Karatzaferis, expressou as preocupações dos políticos:

? Não vamos contribuir para a explosão de uma revolução provocada pela miséria - disse Karatzaferis.

Samaras disse ao sair das negociações que credores da Grécia "estão pedindo mais recessão do que o país pode suportar".

? Estou lutando de todas as formas para evitar isso - disse ele.

Papandreou disse que se opõe ao corte de salários e quer que o Estado assuma os bancos, pelo menos temporariamente.

O porta-voz do Partido Socialista (Pasok), Panos Beglitis, disse que a coalizão deve dar uma resposta nesta segunda-feira à chamada "troika" sobre as propostas de reformas exigidas para a concessão de um novo empréstimo.

O premiê confirmou que os líderes dos partidos irão se reunir novamente na segunda-feira para concluir as negociações necessárias para que segundo pacote de socorro à Grécia seja ratificado. Um calote grego pode levar a economia global de volta à recessão e o prolongamento das discussões sobre o acordo tem deixado os mercados nervosos.

Os credores da Grécia têm demandado cortes nos gastos estimados em cerca de 1% do PIB neste ano.

05 Feb 2012 17:24:49

Grécia, ?no fio da navalha?, tenta acordo sobre plano de socorro

ATENAS - O primeiro-ministro grego se esforçava neste domingo para tentar convencer credores e políticos a referendar um pacote de resgate de 130 bilhões de euros para a Grécia, depois que o seu ministro das Finanças havia dito que ?restavam horas? para se chegar a um acordo e evitar o calote. Mas uma reunião entre os dois lados terminou neste domingo sem solucionar questões pendentes.

O tecnocrata, apontado em novembro, premiê Lucas Papademos, luta para evitar que a Grécia dê um calote, quando grandes vencimentos de títulos de dívida se derem no mês que vem.

O seu ministro das Finanças disse que Atenas tinha até domingo à noite para chegar a um acordo financeiro com os credores, depois que ministros da zona do euro haviam lhe afirmado que a paciência do bloco estava se esgotando, por conta da relutância de Atenas em aprovar as reformas necessárias.

- Estamos no fio da navalha - afirmou o ministro das Finanças, Evangelos Venizelos, no sábado, depois do que ele chamou de uma reunião "muito difícil" com os seus colegas da zona do euro.

- O momento é muito crucial - disse.

A primeira missão do premiê Papademos neste domingo era fechar com os credores estrangeiros pelo menos um acordo preliminar sobre as reformas previstas no plano de socorro, depois de dias de negociação não terem resolvido os impasses sobre cortes de salários e de investimentos públicos.

A cada rodada de negociações, autoridades gregas apareciam desanimadas e reclamavam que a ?troika? - formada pelo Banco Central Europeu, a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional (FMI) - se recusava a ceder nas exigências de corte no salário mínimo, nas gratificações de férias e de demitir funcionários públicos.

Uma reunião entre os dois lados terminou neste domingo à tarde sem uma indicação imediata sobre se eles resolveram ou não as pendências.

O premiê Papademos enfrenta agora uma tarefa ainda mais dura, que é convencer os líderes partidários do seu governo de união nacional a aceitar as reformas exigidas pelos credores. Há eleições nacionais previstas na Grécia para abril.

Conversas com os líderes dos socialistas, dos conservadores e da extrema-direita, da coalizão de governo, ocorrem ainda neste domingo.

- Temos conduzido negociações sobrehumanas. Então, os líderes políticos devem nos ajudar agora - afirmou uma autoridade do governo grego.

As conversas dos partidos na Grécia sobre as reformas continuarão na segunda-feira, disse o líder de extrema-direita George Karatzaferis.

A falta de acordo tem deixado os mercados nervosos. Um calote grego pode levar a economia global de volta à recessão.

05 Feb 2012 16:49:35

Maioria dos alemães quer que Grécia deixe zona do euro

BERLIM - A maioria dos alemães sentem que o bloco do euro seria melhor se a Grécia, que está afundada em dívidas, deixasse o grupo, mostrou neste domingo uma pesquisa publicada pelo jornal "Bild am Sonntag". Na mesma data, a situação do país se agravava, enquanto o primeiro-ministro grego se esforçava para tentar convencer credores e políticos a referendar um pacote de resgate de 130 bilhões de euros para a Grécia, depois que o seu ministro das Finanças havia dito que ?restavam poucas horas?.

A pesquisa do instituto Emnid mostrou que 53% dos alemães acham que a Grécia deveria retornar à sua moeda original, a dracma, enquanto apenas 34% querem que a nação mantenha o euro.

Ministros da zona do euro esperavam se reunir na segunda-feira para finalizar o segundo pacote de ajuda à Grécia, que deve entrar em vigor até meados de março, com o objetivo de impedir uma catastrófica moratória. Contudo, o encontro foi atrasado devido à relutância de Atenas de se comprometer com as reformas.

Sem as medidas de austeridade, os ministros da zona do euro dizem que não podem aprovar o pacote de resgate de 130 bilhões de euros (US$ 171 bilhões).

A pesquisa Emnid mostrou ainda que 80% dos alemães entrevistados são contra a liberação do pacote se a Grécia não implementar as reformas.

05 Feb 2012 16:47:35

Grécia diz estar a horas de um acordo para pacote ajuda

ATENAS - O primeiro-ministro grego lutou neste domingo para convencer credores e políticos a assinar o pacote de ajuda de 130 bilhões de euros, depois de seu ministro das Finanças ter dito que faltam ?apenas algumas horas? para que a zona do euro abandone o país com seus próprios problemas.

Um tecnocrata nomeado em novembro, o premiê Lucas Papademos, está tentando assegurar que a Grécia evite afundar em uma catastrófica moratória quando grandes resgates dos títulos da dívida do país ocorrerem, no próximo mês.

O ministro das Finanças afirmou que Atenas só tem até a noite de domingo para conseguir um segundo pacote de auxílio de seus credores, depois que ministros da zona do euro disseram a ele asperamente que estão prontos para abandonar a Grécia se o país não provar que pode realizar difíceis cortes nos gastos.

- Este momento é crucial - afirmou o ministro das Finanças, Evangelos Venizelos, no sábado depois de ter classificado como "muito difícil" uma conferência por telefone com seus colegas europeus.

A primeira missão de Papademos neste domingo é conseguir pelo menos um acordo preliminar com o trio de credores estrangeiros, a "troika" - uma trinca que reúne a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional - sobre reformas incluídas no pacote, depois que dias de reunião não foram suficientes para resolver o espinhoso assunto do corte de salários e gastos.

Autoridades gregas estão ficando cada vez mais desesperadas a cada rodada de negociações, reclamando que o Banco Central Europeu, a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional estavam se recusando a ceder quanto às demandas de corte do salário mínimo, dos bônus de férias e demissão de funcionários públicos.

05 Feb 2012 12:34:25

Grécia se empenha para fechar pacote de socorro neste domingo

ATENAS - Representantes dos credores da Grécia devem se reunir neste domingo com o primeiro-ministro, Lucas Papademos, para pressionar por medidas mais duras de austeridade e cortes salariais. No centro das discussões está um novo acordo de socorro à Grécia no valor de 130 bilhões de euros, sem o qual o país não conseguirá pagar suas contas já no mês de março.

A primeira missão de Papademos neste domingo é conseguir um acordo preliminar com os representantes da chamada "troika" - uma trinca que reúne a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional - sobre as reformas incluídas no pacote resgate, após vários dias de negociações em que não houve consenso sobre a espinhosa questão de cortar salários e gastos.

Papademos, em seguida, enfrenta uma tarefa ainda mais difícil: convencer os chefes dos três partidos que apóiam seu governo de coalizão a aceitar as reformas exigidas pelos credores, com o risco de arruinar suas chances nas eleições nacionais previstas para o mês de abril. Todos os líderes partidários já expressaram resistências às propostas. O premier deve se reunir com os credores no início e com os líderes dos partidos socialistas, conservadores e de extrema-direita em no fim do dia.

No sábado, após participar de teleconferência com credores, o ministro de Finanças Evangelos Venizelos afirmou que o país tinha até a noite deste domingo para concluir o acordo, depois que representantes da zona do euro disseram que estavam prontos para abandonar a Grécia, caso não recebessem garantias de que os cortes seriam feitos.

- Estamos no fio da navalha - disse Evangelos Venizelos, ministro das Finanças, depois de afirmar que a conversa com os credores tinha sido muito difícil.

05 Feb 2012 11:51:12

André Lara Resende: ?Temos que rever o que consideramos progresso?

RIO - Enquanto a evolução da crise mundial polariza o debate em torno de uma solução ? entre os que defendem que os governos aumentem seus gastos para estimular o crescimento e os que sustentam que somente a adoção de planos de austeridade será capaz de acalmar os mercados ?, o economista André Lara Resende analisa a questão sobre um novo ângulo. Um dos pais do Plano Real, ele diz que existe uma nova restrição: o fato de que atingimos os limites do planeta e, por isso, não podemos mais contar com a expansão da economia como um antídoto contra a crise.

? A capacidade de continuar a crescer nos padrões a que estamos acostumados esbarra nos limites físicos do planeta ? afirma André Lara, hoje sócio da Lanx Capital, uma das maiores gestoras de recursos do país.

Recentemente, o economista jogou luz sobre o assunto ao escrever um artigo no jornal ?Valor Econômico?, em que recomendava o livro de Paul Gilding, ?A Grande Ruptura?, que também aborda o problema. Segundo André Lara, será preciso rever o que consideramos progresso, mas a sociedade não parece caminhar neste sentido:

? Infelizmente, a recusa de ver e agir em relação aos limites ecológicos vai nos levar a uma transição muito mais desordenada e onerosa do que se nos tivéssemos sidos capazes de nos programar para ela ? diz, em entrevista por e-mail ao GLOBO.

O GLOBO: O senhor diz que o remédio keynesiano (economista John Maynard Keynes, que defendia a retomada do crescimento, através de gastos públicos e estímulos ao consumo) para superar a crise e o elevado endividamento público não pode mais ser aplicado hoje e diz que a insistência nesse modelo "pode ser uma ortodoxia anacrônica". Mas como sair da crise, já que só crescendo resolveríamos o problema econômico?

ANDRÉ LARA RESENDE: O crescimento reduz o tamanho relativo das dívidas, tanto privadas como públicas. É a forma menos onerosa e mais eficaz de resolver o problema da indigestão do endividamento excessivo, que ocorre após as grandes crises. Nos anos 30 do século passado, Keynes, com seu talento, sua capacidade de pensar de forma independente e imaginativa, mostrou como é possível usar os gastos públicos para reanimar uma economia estagnada. A situação dos anos 30 era diferente da atual em dois aspectos. Primeiro, porque a depressão levou a uma quebra generalizada, que eliminou o excesso de endividamento. O gasto público funciona como motor de arranque numa economia devastada, mas onde não há mais excesso de endividamento. Não é o caso hoje, porque a ação preventiva dos governos e dos bancos centrais evitou o colapso depressivo, mas em contrapartida, transferiu dívidas do setor privado para o setor público, que já está excessivamente endividado. Segundo ? e esta é a restrição nova ? porque a capacidade de continuar a crescer nos padrões a que estamos acostumados, por meio do aumento da produção e do consumo de bens materiais, para uma população mundial 40 vezes superior ao que sempre foi até a Revolução Industrial, esbarra nos limites físicos do planeta.

A teoria econômica sempre associou o crescimento ao bem-estar. Há ganho de renda, consumo... É possível ter um sem o outro?

ANDRÉ LARA: Para a teoria econômica, crescimento e bem-estar sempre estiveram associados. Enquanto o nível de consumo é muito baixo, a correlação entre os dois é muito alta. Faz então sentido usar crescimento do produto, uma medida relativamente fácil de ser observada, como indicador de bem-estar. Sabe-se hoje, que a partir do momento em que as necessidades básicas estão superadas, o aumento da renda e da disponibilidade de bens materiais tem muito pouca correlação com o bem estar. Muito mais do que ao aumento do consumo material, o bem-estar passa então a estar associado à coesão social, à qualidade da vida comunitária e a uma menor desigualdade. Pode-se, com certeza, ter aumento de bem estar sem crescimento do consumo material. Para isso, é preciso romper com o equívoco mais agressivamente promovido na modernidade: o de que para ser feliz é preciso consumir, ainda que coisas cada vez mais desnecessárias.

O que dizer aos milhões que vivem na miséria no mundo hoje? Como eles sairão da pobreza se precisaremos parar de crescer?

ANDRÉ LARA: A questão da pobreza, da miséria em que vive ainda grande parte da população mundial, é séria e precisa ser atacada com urgência, mas, se o extraordinário crescimento material dos últimos séculos não resolveu o problema da miséria até hoje, é porque nunca irá resolver. Levantar a bandeira do crescimento material, baseado no consumo de bens cada vez mais supérfluos, em nome do combate à miséria no mundo, é profundamente desonesto.

E para os que estão saindo agora da pobreza e finalmente podendo comprar, caso da classe C no Brasil? Como dizer a eles que não podem consumir porque chegamos ao limite do planeta?

ANDRÉ LARA: A solução não é produzir e consumir mais bens materiais, mas sim reduzir a desigualdade de padrões de consumo. Não é preciso impedir que os mais pobres tenham acesso a um padrão de vida decente, mas sim interromper a espiral de aspirações consumistas estapafúrdias de toda sociedade. Aspirações alimentadas pela propaganda, tanto explícita, como subliminar, mas, sobretudo, enganosa, de que quem mais consome é mais feliz.

Essa ruptura seria o enterro formal do capitalismo como conhecemos hoje?

ANDRÉ LARA: Ao esbarrarmos nos limites físicos do planeta, teremos necessariamente que rever o que consideramos progresso, o que exige rever nossa visão de mundo. O sistema de preços competitivos, como sinalizadores da produção e do consumo, será sempre uma ferramenta fundamental para a organização da economia. Não me parece possível, nem desejável, prescindir do sistema de preços, sobretudo, no momento em que a economia precisa passar por uma reorganização profunda. É preciso, isto sim, ter consciência das suas limitações. No caso dos bens públicos, para os quais o consumo não tem custo individual, mas há custo coletivo, o sistema de preços não cumpre seu papel.

O Japão não cresce há quase 20 anos e tem elevado nível de qualidade de vida. O país pode ser um modelo a ser adotado neste novo padrão que a sociedade precisará ter?

ANDRÉ LARA: A estagnação da economia japonesa, que já dura mais de 15 anos, desde o estouro da bolha imobiliária por lá, pode ser vista como precursora das dificuldades que as demais economias avançadas enfrentam, desde a crise de 2008. A homogeneidade cultural e social do Japão é, sem dúvida, fator importante para que o país tenha resistido relativamente bem à economia estagnada.

Alguns críticos dizem que a tese da ruptura brusca e traumática, e até com racionamento, surge da incapacidade de os economistas explicarem como se sai da crise. O que o senhor acha disso?

ANDRÉ LARA: Compreender as dificuldades e pensar como superá-las é responsabilidade coletiva. Não é atribuição exclusiva de economistas.

Ao mesmo tempo em que o planeta dá sinais de esgotamento, os governos não parecem sensíveis ao tema. Como resolver o problema sem uma política pública clara e direcionada?

ANDRÉ LARA: Apesar de muito barulho, parece não haver ainda uma verdadeira consciência de que os limites físicos do planeta foram ou estão prestes a serem atingidos. Temos grande dificuldade de ver e aceitar o que nos obrigaria a mudar nossa visão de mundo. Infelizmente, a recusa de ver e agir em relação os limites ecológicos, vai nos levar a uma transição muito mais desordenada e onerosa do que se nos tivéssemos sidos capazes de nos programar para ela.

05 Feb 2012 10:24:27

Cozinhas que mais parecem feitas para chefs (de fim de semana)

O biólogo Mauro Rebelo adora cozinhar para os amigos. Por isso, desde que comprou seu apartamento, sabia que um dia abriria a

cozinha criando um espaço em que pudesse recebê-los, sem deixar suas massas e molhos passarem do ponto. E, num espaço assim, praticidade seria essencial. Vem daí uma cozinha em que tudo está logo ali, com acesso bem fácil. O charme vem da mistura de elementos rústicos, como o tijolo de demolição na parede lateral, o cimento queimado na bancada do fogão e o piso preto, que é usado também como revestimento de parede. Utensílios e eletrodomésticos de inox completam o clima masculino do apartamento.

Já o arquiteto Chicô Gouvêa manteve a opção de fechar as portas da cozinha de sua casa ? o que só faz no início do preparo dos pratos. No resto do tempo, portas abertas para os amigos conviverem com seus muitos livros de gastronomia e admirarem, além dos pratos, todos os utensílios que ficam bem ali ao alcance das mãos, e dos olhos.

? Cozinha para mim é uma terapia. Ter todas aquelas coisas à mão é prático, mas também sinto como se elas me abraçassem. O problema mesmo é manter tudo limpo. Mas se cozinha já é um lugar onde a limpeza deve predominar, no caso dos ambientes que são abertos, isso é ainda mais importante ? destaca Chicô, opinando que projetos assim não costumam funcionar quando a família é muito grande.

Na cozinha ambientada pela arquiteta Marina Dubal, a praticidade ganhou charme com objetos de design retrô, como batedeira, liquidificador e balança, que dividem espaço com facas penduradas nas paredes e temperos na bancada.

? A decoração de qualquer espaço pode ser feita também com objetos funcionais como esses, além dos adornos ? diz Marina.

Essa mistura é visível na cozinha de uma casa em Angra, ambientada pelo trio Luiz, Bruno e Mariana Marinho. Com 50 metros quadrados, ela até parece uma cozinha industrial e tem espaço de sobra tanto para grandes pinguins, que pularam da geladeira para prateleiras, quanto para a exibição de panelas e frigideiras em nichos abertos, que substituíram os armários.

? A casa pertence a uma família grande, que gosta de receber muitos amigos. Eles têm até um cinema lá. Por isso, uma cozinha desse porte. Os utensílios à mostra, além de ter função estética, foram uma opção para sua manutenção, já que, por ficar numa ilha, a casa sofre muito com maresia e umidade ? explica Bruno Marinho.

Já na cozinha decorada pela arquiteta Renata Basques, a grande bancada ganhou cantinhos e até um nicho na parede para abrigar tanto panelas de barro quanto as famosas francesas Le Creuset, que são o sonho de consumo de qualquer chef de fim de semana.

05 Feb 2012 10:13:32

O vizinho está em obras. E agora?

O alerta soou em outubro de 2010, quando, ao acordar, os moradores sentiam a cama tremer. Eram os tanques de combustíveis que estavam sendo retirados do terreno em que, até pouco tempo, funcionara o posto de gasolina em frente ao Hospital da Lagoa, no Jardim Botânico. De lá para cá, a construtora até enviou um perito para avaliar as condições do edifício, que é de meados do século passado e está dentro de uma Área de Proteção Ambiental (APA). Mas agora, à espera do início da construção da obra vizinha e diante do desabamento no Centro do Rio, os moradores do prédio sentem seus temores aumentarem.

? Já estávamos assustados e, com o que aconteceu no Centro, a apreensão é maior. Um arquiteto sugeriu que pedíssemos para eles usarem perfuratriz, em vez de bate-estaca ou qualquer outra solução. Dissemos isso ao perito, mas não sabemos como será ? conta a síndica do prédio, Maria Inez Magni Verçosa.

Desde a impressionante queda dos três prédios há dez dias no centro financeiro do Rio, quem observa alguma obra em apartamentos ou terrenos vizinhos fica tomado por sentimentos que vão da insegurança à apreensão. Não importa se é a transformação de um escritório em loft, a integração de ambientes internos ou uma construção ao lado. Quando o assunto é obra, a dúvida paira no ar. Não à toa, a Defesa Civil registrou alta de 290% no número de telefonemas na última semana de janeiro sobre o mesmo período de 2011. No Crea, ligações sobre obras vizinhas, normalmente de três a cinco por dia, pulou para 220 nos quatro dias após a tragédia.

Na esquina das ruas do Catete e Barão do Flamengo, o temor é que a construção de um prédio comercial com duas torres e 13 pavimentos possa comprometer de alguma maneira os imóveis do local ? quase todos de idade avançada. É que a rua foi construída sobre o leito do Rio Carioca, o que poderia aumentar o risco de danos para os prédios mais antigos.

? Quando chove, a água penetra na terra, passa por baixo dos prédios e, no caminho, vai levando areia e o que tiver no subsolo.

Imagina isso numa grande construção em que é preciso deslocar a água dos lençóis com bombas poderosíssimas... ? diz o engenheiro Antero Parahyba, conselheiro do Clube de Engenharia.

Segundo Parahyba, nesses casos, os prédios do entorno podem acabar sofrendo adernamento ou fissuras. Por isso, as vistorias devem acontecer antes do início das obras para averiguar quando há necessidade de fazer a proteção ou o reforço das fundações dos imóveis ao redor, o que, segundo moradores dos prédios vizinhos à obra na Barão do Flamengo, foi feito. Mas a síndica de um prédio construído em 1926 na Almirante Tamandaré, que faz fundos com o novo edifício comercial do Catete, Maria Isabel Canto Andrade, se preocupa porque, diz, nos imóveis de sua rua, a vistoria não chegou. Até agora, entretanto, a construção não deu problema:

? Meu prédio tem paredes de pedra. E como nunca fizemos qualquer acréscimo ou mudança estrutural, confiamos em sua segurança. Mas sentimos o prédio tremer só com o grande movimento de ônibus na Rua do Catete, sendo que, depois do início da obra, a trepidação aumentou e se tornou constante ? relata Maria Isabel, revelando-se na expectativa. ? Não sei se teremos problemas. Mas me sinto entregue à força de Deus.

A Schipper Engenharia, responsável pela obra, diz ter tomado todas as providências exigidas antes do início das obras e afirma que todos os moradores foram convidados a participar de reuniões para esclarecer dúvidas a respeito da obra. No caso do prédio do Jardim Botânico, a construtora João Fortes, dona do terreno, garante que não vai usar bate-estaca quando começar a obra, que ainda aguarda aprovação da prefeitura.

Num prédio da década de 1970, na Gávea, o problema foi o uso de um martelete (espécie de britadeira que serve para quebrar concreto e paredes) na obra de um apartamento que acrescentava um quarto à sua planta original. A violência da ferramenta escolhida assustou até os engenheiros e arquitetos que moram no condomínio. Todos pediram para verificar a obra, o que foi prontamente atendido pela dona do apartamento em questão. Vistorias informais concluídas, a obra foi ?liberada? pelos outros condôminos e a paz, agora, está selada.

Tire suas dúvidas:

Como deve proceder um morador que desconfia das condições da obra na casa de seu vizinho, mas quer evitar ter problemas com ele?

Denúncia e boa vizinhança não são compatíveis. Obra irregular e boa vizinhança também não. Na dúvida, pode-se acionar prefeituras, via secretarias municipais de urbanismo, Crea ou CAU.

O síndico tem direito de vistoriar obras no apartamento alheio? O morador é obrigado a abrir sua porta?Pelo Código Civil, entre outras atribuições, o síndico é responsável pelas partes comuns do condomínio. Mas não há norma legal

em relação às obras internas das unidades. Ou seja, a não ser que a convenção estabeleça algo a respeito, os síndicos não têm o poder de interferir em obras internas. Há condomínios com regras rígidas para controle da subida de materiais e operários, o destino dos entulhos etc. Isso é o ideal.

Como deve proceder quem pretende fazer obra no apartamento? O dono da obra deve submeter o projeto à análise do condomínio, para verificar possíveis interferências e para combinar procedimentos a serem adotados e reduzir incômodos ? como barulho, poeira, entrada de materiais, saída de entulho, identificação de funcionários etc.

O que pode ser feito numa obra sem acompanhamento de engenheiro?

Serviços de pintura; substituição de instalações ou de trechos desde que mantidos os mesmos trajetos, dimensionamento e materiais; substituição de esquadrias; e ainda rebaixamentos de teto com gesso ou forros leves.

É necessário contratar engenheiro para mexer na parte elétrica?Um eletricista deve fazer pequenos reparos. Pode substituir elementos e componentes, desde que trajetos, dimensionamentos e

materiais sejam mantidos.

Qual o risco de retirar paredes? Retirada ou criação de paredes, aberturas ou fechamentos de vãos e deslocamentos de instalações constituem obras de modificações. E estas podem, sim, interferir na edificação. Algumas paredes, com função estrutural, não podem ser removidas ou mesmo parcialmente cortadas. Retiradas ou deslocamentos só podem ser feitos sob projeto e supervisão de profissional habilitado. Demolições inadequadas comprometem a estrutura.

Quais os riscos na hora de ampliar banheiros e cozinhas?

Na ampliação destes ambientes, poderá haver corte de elementos estruturais, redução ou eliminação de ventilações, execução de

instalações indevidas (exemplo: interligar instalações de esgoto sanitário em instalações de águas pluviais ou de gordura). Banheiras de hidromassagem, ofurôs e piscinas acrescentam sobrecarga às estruturas. Por isso, a instalação destas peças depende de análise prévia da estrutura, para cálculo e projeto dos reforços necessários.

Abertura de janela, pode?

Não se pode abrir vãos para janelas em alvenarias estruturais ou cortando peças da estrutura. Nem a menos de um metro e meio das divisas ou que representem alterações de fachadas.

Que tipo de obra costuma ser feita sem contratação de engenheiro?

Por falta de informação, as pessoas não costumam contratar engenheiros ou arquitetos para projetar e executar obras dentro de casa. A contratação tende a ocorrer quando a obra envolve acréscimo de pavimento ou de grande volume de área, como é o caso de ampliações de coberturas.

Que tipo de seguro se deve fazer para a prevenção contra danos ao imóvel? O desmoronamento está incluído nos seguros em geral?

Não. Além de incêndio, raio e explosão, já cobertos pelos seguros tradicionalmente feitos por condomínios, é preciso incluir cláusula específica de desmoronamento. Normalmente, se faz o desmoronamento parcial. Mas existe o total, e até quem está fazendo um seguro complementar para o seu imóvel pode pedir a inclusão dessa cláusula. Além disso, é bom incluir responsabilidade civil, que cobre danos causados a terceiros.

05 Feb 2012 10:00:47

Saiba mais sobre os eventos e os termos usados pelos geeks

OS EVENTOS

GEEKS ON A BEER: O evento será nesta quinta, 09/02, no Bar do Ernesto, na Lapa, e, em São Paulo, no Bar Brahma Aeroclube, às 19h. A entrada, a R$ 30, dá direito a R$ 15 de consumação. Informações: http://geeksonbeer.org.

STARTUP RIO MEETUP: A próxima edição será no dia 14 de março, no Café del Mar, em Copacabana. Depois, o evento segue para Belo Horizonte, São Paulo e Florianópolis. Outras informações estão no site www.circuitostartup.com.

BR NEW TECH: Nova edição em São Paulo até o fim do mês. O evento deve chegar ao Rio em abril. Site: www.meetup.com/BRNewTech/.

GEEKS ON A PLANE: O grupo de investidores que viaja o mundo para conhecer o mercado de startups e tecnologia divulga sua programação no http://geeksonaplane.com.

TRADUZINDO OS NERDS

GEEKS: Gente que gosta de tecnologia e de internet. Uma evolução do termo nerd, com conotação positiva.

SPEED NETWORKING: É como é chamada a atividade em que os empreendedores têm cerca de três minutos para apresentar suas ideias aos investidores, sempre em esquema de rodízio. Vem do speed dating americano.

STARTUP: Empresas, principalmente da área de tecnologia, que estão começando e que têm um grande potencial para apresentar crescimento rápido.

INVESTIDOR-ANJO: São pessoas físicas ou mesmo empresas que estão dispostas a investir em uma startup, seja colocando dinheiro inicial no projeto ou oferecendo outros benefícios, como, por exemplo, consultoria jurídica ou contábil.

ELEVATOR PITCH: O termo em inglês é usado para definir as apresentações que duram de 30 segundos a três minutos ? o tempo de uma viagem de elevador ? sejam elas num speed networking ou em outras situações.

PRE-SEED: A tradução seria "pré-semente": refere-se a um investimento inicial, de baixo valor, que é feito pelos investidores-anjo.

05 Feb 2012 09:59:59

Empreendedores e investidores se reúnem para fazer networking

Mesa de bar também pode ser um lugar para fazer negócios. Ao menos é o que defende um grupo de jovens empreendedores, que, inspirados em eventos que acontecem frequentemente nos EUA, trazem para o Brasil o conceito de que é preciso expandir os limites do trabalho para além dos muros de uma empresa. Nos encontros, os geeks ? aficionados por tecnologia e internet ? trocam informações e têm a chance de fazer contato com investidores-anjo ? pessoas, físicas ou jurídicas, dispostas a investir em projetos e em startups, empresas que estão começando.

Mas nada de apresentações longas ou reuniões formais: o método usado é o speed networking, em que os empreendedores têm apenas três minutos para mostrar suas ideias. E tudo isso com a possibilidade de pedir uma cerveja ao garçom, sem que ninguém lance olhares de reprovação.

? Buscamos empreendedores divertidos, animados, que tenham energia para fazer um negócio acontecer. A bebida combina com isso ? avalia André Diamand, fundador da VentureOne, empresa que apoia startups. ? E claro que é preciso ter um limite: não dá para tomar 20 cervejas e querer fazer uma negociação séria.

O evento "Geeks on a beer", por exemplo, que acontecerá nesta quinta-feira, vai reunir os geeks para tomar cerveja na Lapa. Em março, será realizada a quinta edição do "Startup Rio meetup", em um bar na praia de Copacabana.

? Esse tipo de acontecimento é muito comum nos Estados Unidos e no Canadá, e também em alguns locais da Europa: um evento informal onde as pessoas vão para beber cerveja e fazer network ? explica Cadu de Castro Alves, organizador do "Geeks on a beer", criado em maio de 2011 e que está na quinta edição.

Mas, na hora de falar de negócios, será que a bebida não atrapalha?

? As pessoas ficam mais descontraídas e as conversas fluem melhor. Além de o contato ficar menos formal ? defende Castro Alves, que escolheu o Bar do Ernesto, no bairro boêmio da Lapa, para sediar o "Geeks on a beer".

No "Startup Rio meetup", integrante do "Circuito startup", uma roda nacional de negócios, o foco não está tanto na bebida, mas na escolha do lugar ? o Café del Mar, lounge bar localizado na Avenida Atlântica traduz um pouco do clima.

? A gente podia alugar um auditório ou um salão, com aquela luz branca. Mas optamos por uma luz suave e música de fundo. E o bar fica aberto para quem quiser pedir drinks ? diz Tiago Asevedo, organizador do "Startup Rio meetup".

Três minutos para conquistar o anjo

No "Geeks on a beer", o speed networking é um dos momentos mais esperados: a hora em que um empreendedor pode conseguir o apoio de um investidor-anjo. O processo se espelha no modelo americano do speed dating, em que homens e mulheres conversam por três minutos com cada participante de um grupo na tentativa de encontrar um parceiro.

? Os empreendedores fazem um rodízio para apresentar sua ideia ou projeto aos possíveis investidores ? explica o organizador.

E, nessa hora, chama a atenção quem consegue fugir do convencional.

? Lembro dos criadores de uma empresa de entregas de comida on-line que, na hora de falar sobre o projeto, pediram uma pizza pelo site, que chegou um pouco depois e foi distribuída no local. Foi algo que marcou ? conta Diamand. ? Mas ainda existe uma carência razoável na qualidade das apresentações. É preciso mais ousadia.

No "Startup Rio meetup", cuja quinta edição será dia 14 de março e faz parte do "Circuito Startup" (que depois segue para Belo Horizonte, São Paulo e Florianópolis), também há espaço para apresentações curtas de dois minutos (elevator pitches, como os geeks preferem chamar). Serão pré-selecionados dez projetos para a apresentação diante de uma banca de jurados. O melhor ganhará cursos, consultorias e livros.

? É um desafio apresentar um negócio em apenas dois minutos. O melhor de tudo é a visibilidade e o contato direto com investidores ? aponta Tiago Asevedo, organizador do "Startup Rio meetup", que, na última edição, contou com um público de 300 pessoas.

Evento aposta em "networking incentivado"

No "BR New Tech" ? que desde dezembro de 2010 já aconteceu cerca de dez vezes, em São Paulo ? o método para a ampliação dos contatos é chamado de networking incentivado, que reúne cinco grupos de 30 pessoas (no speed networking, a apresentação é de "um para um").

? Cada um tem 30 segundos para se apresentar. Tocamos uma sirene e os grupos rodam ? diz Marco Fisbhen, fundador da startup Descomplica e um dos organizadores do "BR New Tech", que também conta com palestras e pitches.

Segundo Fisbhen, os brasileiros ainda são muito tímidos quanto o tema é networking:

? Os americanos têm uma forma de se posicionar melhor. Aqui, geralmente os empreendedores ficam numa rodinha com quem conhecem.

Ao fim da rodada de apresentações, os participantes partem para um coquetel ? sem bebida alcoólica ? onde podem aprofundar contatos.

? Trinta segundos é pouco. Então, por mais uma hora, damos a chance para o pessoal trocar mais informações.

Nos EUA, inclusive, a cultura de promover redes de contatos entre empreendedores e investidores do mundo digital é tão forte que existe até um grupo chamado "Geeks on a plane" (Geeks em um avião). Capitaneados por Dave McClure, eles percorrem o mundo para conhecer distintas realidades do mercado de startups e empreendedorismo digital.

? É um grupo grande, de cerca de 50 pessoas, que tem os mais variados perfis: desde grandes empresas até curiosos ? conta Fisbhen, cuja empresa, a Descomplica, recebeu um investimento após a visita dos "Geeks on a plane", ano passado. ? Eles estarão de volta em maio ? diz Fisbhen.

Investidores estão de olho no comércio digital

A maioria dos projetos envolve tecnologia e tem na internet o suporte para existir. Os temas, no entanto, são os mais variados. Há desde site para criar listas de presentes de casamento, passando por portais de ensino à distância e empreendedorismo on-line, até crowdfunding para ensaios sensuais com gente comum.

? Os investidores estão em busca de empresas inovadoras que apostam no e-commerce e no social commerce, que é feito nas redes sociais ? avalia Cadu de Castro Alves, organizador do "Geeks on a beer".

Mas é importante frisar que a presença dos investidores-anjo não garante aporte financeiro ? e, geralmente, eles disponibilizam apenas capital suficiente para dar início ao negócio.

? Os eventos nos alimentam de novidades e novas pessoas e ajudam a renovar a rede de contatos ? conclui André Diamand, fundador da VentureOne, que apoia startups.

 

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