05 Feb 2012 20:06:06

Salvador: líder pede que grevistas resistam à desocupação

SALVADOR - O presidente da Associação dos Policiais, Bombeiros e seus Familiares, soldado Marco Prisco, pediu no início da noite deste domingo aos grevistas concentrados na Assembleia Legislativa que resistam a uma eventual desocupação do prédio, mas que não usem arma de fogo. Cerca de 200 pessoas, entre elas mulheres e crianças, estão na rampa de acesso à Assembleia. Há outras pessoas dentro da Casa. O clima de tensão é grande, principalmente depois que o presidente da Assembleia, deputado Marcelo Nilo (PDT), pediu ao comando das forças de segurança da Bahia que desocupe o local até meia-noite.

Por volta das 20h, os grevistas informaram que a energia elétrica da Assembleia Legislativa foi cortada e a segurança patrimonial retirada. A luz só não apagou porque o gerador interno foi acionado, mas a situação só vai durar enquanto o combustível que alimenta o equipamento durar.

Presidente da Assembleia Legislativa da Bahia pede apoio ao Exército para retirar PMs da Casa

O presidente da Assembleia Legislativa da Bahia Marcelo Nilo (PDT) pediu ao general do Gonçalves Dias, comandante das forças de segurança na Bahia, na 6ª Região Militar do Exército, apoio para a retirada dos policiais militares em greve do prédio da Assembleia, no Centro Administrativo da Bahia (CAB), até a meia-noite deste domingo, sexto dia de paralisação da Polícia Militar do Estado.

Nilo afirmou que não admite que o prédio da AL seja usado para ?abrigar fugitivos da justiça com mandado de prisão em aberto?.

- A Assembleia está funcionando de forma precária, os funcionários estão falando ao serviço, há homens armados pelos corredores, pelas rampas de acesso e utilizando os banheiros. Já perdi a paciência, desde sexta-feira tentamos maneira pacifica para desocupar (o prédio) - afirmou Nilo.

Nesse domingo, quarenta homens do Comando de Operações Táticas da Polícia Federal (PF), considerada a "tropa de elite" da corporação, chegaram na capital baiana para cumprir 11 mandados de prisão dos 12 expedidos pela justiça. O primeiro policial preso foi Alvin dos Santos Silva, lotado na Companhia de Policiamento de Proteção Ambiental (COPPA). O agente foi detido pelo comandante da COPPA, major Nilton Machado.

Na Assembleia, os policias em greve estão confiantes que não haverá violência com a entrada da tropa de elite da PF por conta da presença de familiares, entre crianças e mulheres dos policiais, que estão no local.

Cinco associações da PM divulgaram, na noite de sexta-feira, uma nota contra qualquer manifestação violenta que possa ocorrer aos colegas amotinados. Um trecho da nota revela o repúdio a ?qualquer forma de resolução violenta que ponha em risco a integridade física e a vida de qualquer policial militar ou de qualquer outro cidadão?, e que, se tal ameaça se concretizar, se afastarão imediatamente do processo de negociação, responsabilizando o governo do Estado por todo e qualquer incidente daí decorrente.

Os agentes em greve ocupam a Assembleia Legislativa desde o início da greve, na noite de terça-feira, quando a categoria resolveu parar as atividades para cobrar melhores condições de trabalho.

Desde o início do movimento e até o início da noite deste domingo, 82 pessoas foram assassinadas em Salvador e Região Metropolitana de Salvador (RMS), segundo informações divulgadas pela Superintendência de Telecomunicações da Secretaria de Segurança Pública (Stelecom). Além disso, foram registrados saques em diversas lojas da capital baiana e de cidades do interior do estado.

05 Feb 2012 18:45:57

Salvador soma 82 mortos desde o início da greve dos policiais

SALVADOR - Desde que a greve começou, no dia 31 de janeiro, foram registrados 82 homicídios em Salvador e Região Metropolitana, de acordo com boletins da Superintendência de Telecomunicações das Polícias (Stelecom). Neste domingo foram treze assassinatos até as 15h. O clima continua tenso na capital baiana devido ao movimento com tropas das Forças Armadas e da Força Nacional patrulhando as ruas de Salvador. O presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado da Bahia (Sinep - BA), Natálio Dantas, confirmou que emitiu recomendação para que as escolas particulares da Bahia só voltem às aulas após o fim do motim de policiais militares. São cerca de 450 escolas da rede privada no Estado.

O grupo educacional que reúne os colégios São Paulo, Anchieta e as unidades Anchietinhas confirmou que acatará a recomendação da entidade, suspendendo as atividades nesta segunda-feira.

- Os pais devem usar o nosso site como canal de comunicação. Nossa preocupação é a segurança dos alunos durante o trânsito deles - afirmou Antônio Bamberg, diretor técnico e pedagógico das escolas que somam 4,5 mil estudantes na capital baiana.

Por outro lado, cerca de um milhão de estudantes e 40,06 mil professores da rede pública estadual de ensino voltarão às aulas, nessa segunda, em meio a cenário conturbado da segurança pública no Estado da Bahia, devido à paralisação de parte de efetivo de 32 mil policiais militares.O secretário estadual da Segurança Pública, Maurício Teles Barbosa, garantiu que o retorno escolar ocorrerá normalmente, com presença de homens do Exército e de policiais militares não-amotinados.

Mesmo diante da chegada progressiva de homens das forças Armadas e Nacional de Segurança Pública, docentes estão receosos pela integridade física deles e dos alunos, segundo relato da vice-coordenadora do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado da Bahia (APLB-Sindicato), Marilene Betros. "Temos preocupação com os alunos. A onda dos boatos pode se transformar em algo muito complexo. Como os estudantes vão voltar às aulas neste clima??, indagou Marilene.

O secretário não informou quantos homens vão atuar na segurança dos colégios estaduais.

- Há um centro de operações à disposição das forças e o gabinete emergencial já está funcionando. Temos uma parcela ínfima de grevistas, bem menor que o número do início - disse.

A estimativa inicial do governo foi a de que um terço (pouco mais de 10 mil policiais) do total de PMs havia parado. Sem dar detalhes da distribuição do efetivo pela capital e interior, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, general José Nardi, afirmou que mais de três mil homens estão na Bahia, ?a maior massa? já empregada nessas operações.

Líder do movimento passa mal durante a madrugada

A principal liderança da greve, o presidente da Associação dos Policiais, Bombeiros e dos seus Familiares do Estado Bahia (Aspra), Marco Prisco, foi acompanhado por uma enfermeira neste domingo, após passar mal na noite do último sábado. Prisco, que sofre de problemas cardíacos, diz que precisou tomar medicação intravenosa no sábado por ficar três dias sem se tratar devido a sua participação no movimento grevista da Polícia Militar (PM).

Na manhã deste domingo, ele disse que passava bem, mas ainda passa a maior parte do tempo recluso em uma sala da Assembleia Legislativa da Bahia, onde os grevistas estão acampados. O sindicalista sai apenas para atender a imprensa e falar com os participantes do movimento, mas sempre utilizando colete a prova de bala.

05 Feb 2012 14:34:54

Policial integrante de movimento grevista é preso em Salvador

RIO - A secretaria de comunicação do governo do estado da Bahia informou que o policial militar Alvin dos Santos Silva foi preso na madrugada deste domingo. Ele trabalhava na Companhia de Policiamento de Proteção Ambiental (COPPA) e participava do movimento grevista da PM que ocorre há seis dias no estado. A prisão dele é a primeira efetivada em cumprimento a um dos 12 mandados de prisão expedidos pela Justiça.

Alvin Silva é acusado de formação de quadrilha e roubo de patrimônio público (viaturas). O próprio comandante da COPPA, major Nilton Machado, foi quem efetuou a prisão e o encaminhou para a Polícia do Exército.

Além dos crimes, o policial vai passar por um processo administrativo na própria corporação, segundo informou o governo da Bahia.

05 Feb 2012 14:34:54

Policial integrante de movimento grevista é preso em Salvador

RIO - A secretaria de comunicação do governo do estado da Bahia informou que o policial militar Alvin dos Santos Silva foi preso na madrugada deste domingo. Ele trabalhava na Companhia de Policiamento de Proteção Ambiental (COPPA) e participava do movimento grevista da PM que ocorre há seis dias no estado. A prisão dele é a primeira efetivada em cumprimento a um dos 12 mandados de prisão expedidos pela Justiça.

Alvin Silva é acusado de formação de quadrilha e roubo de patrimônio público (viaturas). O próprio comandante da COPPA, major Nilton Machado, foi quem efetuou a prisão e o encaminhou para a Polícia do Exército.

Além dos crimes, o policial vai passar por um processo administrativo na própria corporação, segundo informou o governo da Bahia.

05 Feb 2012 14:21:25

Sem-teto e guardas-civis entram em confronto no centro de SP

SÃO PAULO - Os moradores retirados de um prédio na Avenida São João, no centro de São Paulo, na quinta-feira, entraram em confronto com a Guarda Civil Municipal na manhã deste domingo. Cinco moradores e quatro guardas ficaram feridos.

Os ex-ocupantes do prédio foram surpreendidos com a chegada da GCM, que pretendia desocupar a calçada do Lardo do Paissandu, onde estão algumas famílias desde a reintegração. Conselheiros tutelares que estavam no local também foram surpreendidos com a ação da Guarda Civil Municipal.

Eles atiraram móveis e pedras em guardas, que revidaram com o uso de cassetetes e spray de gás pimenta. Havia muitas crianças no local. Alguns moradores de prédios chegaram a arremessar garrafas de água das janelas para tentar coibir a ação da GCM. Alguns minutos após o confronto os guardas recuaram. À Rádio CBN, a GCM informou que recuou por uma questão de prudência e negou que usou gás pimenta em crianças.

Segundo a Frente de Luta por Moradia (FLM), cerca de 300 guardas-civis fecharam o quarteirão da Avenida São João e tentaram retirar as famílias sem-teto que estão acampadas na calçada. O confronto começou quando um dos guardas usou spray de gás pimenta. Alguns feridos foram levados para a Santa Casa de São Paulo.

Ainda de acordo com a FLM, há crianças com problemas respiratórios por causa do gás pimenta.

A reintegração de posse de um prédio de três andares, ocupado desde novembro do ano passado, foi pacífica.Porém, os moradores decidiram ficar acampados na Avenida São João.

05 Feb 2012 13:52:32

Jaques Wagner nega ter ajudado greve de PMs em 2001

SALVADOR - O governador Jaques Wagner, por intermédio de sua assessoria de imprensa, negou que tenha ajudado, em 2001, a greve dos policiais militares.

- Essa infomação é absurda - disse o porta-voz Ipojucã Cabral, que argumentou:.

- O governador tem uma carreira política amplamente conhecida da sociedade. A responsabilidade e o compromisso com a democracia são alguns dos seus princípios de ação na vida pública - disse ele.

Wagner passou a manhã deste domingo na governadoria, reunido com todos os comandantes das forças de segurança e os seus principais auxiliares, acompanhando toda a operação deflagrada para manter a ordem no estado.

A acusação de que ele e outros políticos da base do governo teriam dado suporte financeiro à greve dos policiais militares em 2001 partiu do soldado Marco Prisco, presidente da Associação dos Policiais, Bombeiros e seus Familiares da Bahia (Aspra), em entrevista no sábado, na Assembleia Legislativa, onde os grevistas estão acampados.

05 Feb 2012 13:06:40

Governador baiano desmente ajuda à greve da PM em 2001

SALVADOR - O governador Jaques Wagner (PT), por intermédio de sua assessoria de Imprensa, desmentiu que tenha ajudado, em 2001, a greve dos policiais militares. "Essa informação é absurda", disse o porta-voz Ipojucã Cabral. "O governador tem uma carreira política amplamente conhecida da sociedade. A responsabilidade e o compromisso com a democracia são alguns dos seus princípios de ação na vida pública", disse ele. Wagner passou a manhã de hoje na governadoria, reunido com todos os comandantes das forças de segurança e os seus principais auxiliares, acompanhando toda a operação deflagrada para manter a ordem no estado. A acusação de que ele e outros políticos da base do governo teriam dado suporte financeiro à greve dos policiais militares em 2001 partiu do soldado Marco Prisco, presidente da Associação dos Policiais, Bombeiros e seus Familiares da Bahia (Aspra), em entrevista ontem, na Assembleia Legislativa, onde os grevistas estão acampados.

05 Feb 2012 10:33:40

Duas pessoas morrem em incêndio de favela na Zona Norte de SP

SÃO PAULO - Duas pessoas morreram carbonizadas e outras duas ficaram feridas em um incêndio, na manhã deste domingo, na favela Corujão, na Vila Guilherme, Zona Norte de São Paulo. O fogo, ainda de causas desconhecidas, destruiu aproximadamente 60 dos 300 barracos construídos na área.

Segundo o capitão Anderson Rodrigues de Azevedo, que coordena a operação, um homem e uma mulher foram encontrados mortos no local. - Vinte e quatro viaturas e 80 homens foram para local. O fogo já foi controlado e agora trabalhamos no rescaldo. A favela já foi desocupada - afirmou ele à Globo News TV.

A Força Tática da Polícia Militar foi acionada para ajudar a conter os moradores. Exaltados, eles queriam entrar na favela para retirar seus pertences.

Há cerca de cem famílias desabrigadas. Assistentes sociais da Prefeitura foram até a área da favela para cadastrar as famílias. Mas os moradores reclamam da desorganização.

Edmilson Braga, que morava na favela com a mulher e quatro filhos, disse acordou com os vizinhos gritando ?fogo, fogo!?. - Então saímos correndo. Só deu tempo de pegar os documentos e sair correndo com as crianças. Há pessoas que falam que a causa do fogo foi fiação elétrica - relatou o morador.

As duas pessoas feridas foram levadas para o Pronto-Socorro Tatuapé, Zona Leste. Os bombeiros foram acionados pouco antes da 8h deste domingo.

05 Feb 2012 09:08:03

Grevista convoca famílias de PMs para protesto na assembleia baiana

SALVADOR - Ameaçado de prisão, o presidente da Associação dos Policiais, Bombeiros e seus Familiares da Bahia (Aspra), soldado Marco Prisco, está convocando as famílias dos grevistas, incluindo crianças, para se juntar aos policiais concentrados desde quarta-feira na Assembleia Legislativa do estado.

Para distrair os filhos dos soldados, os organizadores da paralisação instalaram pula-pulas no local. De acordo com o capitão Marcelo Pita, porta-voz do Comando da Polícia Militar, Prisco está na lista dos 12 líderes grevistas com mandado de prisão expedido pela Justiça baiana. Mas o governador Jaques Wagner (PT) já descartou a possibilidade de invasão da Assembleia. Wagner disse que não negociará enquanto a greve continuar.

No fim da tarde de sábado, a PM conseguiu recuperar as 16 viaturas levadas dos quartéis pelos grevistas. O líder Marco Prisco disse que o movimento está disposto a reduzir a pauta de reivindicações, mantendo apenas a incorporação de gratificações e a anistia aos grevistas.

Para chegar ao líder da greve dos policiais militares baianos, é preciso erguer os braços e passar por uma minuciosa revista. Protegido por uma roda de amigos e por um colete à prova de balas que não combina com a camisa de malha e o bermudão que veste, Marco Prisco Caldas Machado, de 42 anos, é o centro das atenções no corredor do segundo andar da Assembleia Legislativa da Bahia, local que foi transformado no Estado-maior do movimento grevista. Prisco está tenso. Ele sabe que pode ser preso a qualquer momento e levado para um presídio de segurança máxima fora do estado. Uns dizem que há um plano para matá-lo.

O ex-bombeiro, demitido na greve de 2001, é o presidente da Associação de Policiais, Bombeiros e de seus Familiares do Estado da Bahia (Aspra). Embora a entidade, fundada há três anos, represente apenas 17% dos policiais e bombeiros baianos, ele é o nome por trás da paralisação que já dura cinco dias. Seu discurso oscila. Primeiro diz que os grevistas são ordeiros e que querem negociar. Nega responsabilidade sobre a onda de saques, violência e sabotagem que assolou a capital baiana nas últimas horas. Mas, em seguida, alerta que sua prisão pode desencadear uma desordem fora de controle. A poucos metros de onde ele fala, 16 viaturas policiais ? com pneus furados e levadas à revelia dos quartéis ? formam uma barreira de proteção.

No banco de dados da Justiça Eleitoral, Prisco é tucano. Reconhece que assinou uma ficha de filiação ao PSDB, mas afirma que está de saída do partido. Na política baiana, dividida entre carlistas (herdeiros de Antônio Carlos Magalhães) e petistas, ele conseguiu o improvável: ser demitido pelo governo carlista de Cesar Borges, em 2002, depois da greve do ano anterior, e ter a reintegração negada pelo atual governo petista de Jacques Wagner. Com a paralisação iniciada na quarta-feira, é acusado agora de servir aos interesses da oposição e ao projeto de se lançar candidato à Câmara Municipal.

Para explicar as razões do movimento, Prisco capricha no verbo. Garante que a pretensão não é salarial, mas a desmilitarização das polícias militares. Diz que o Código Penal Militar é o último resíduo do Ato Institucional número 5 (AI-5) e que a população só respeita a PM por ter medo dele. Prisco também se esforça para mostrar que a Bahia não está sozinha. Lembra que é o 11 estado brasileiro a enfrentar uma greve de policiais no último ano.

? A militarização é perversa para a categoria. No Rio, mandaram o Bope (Batalhão de Operações Especiais) reprimir a mobilização dos bombeiros. Era irmão atirando em irmão. Eu estava lá e vi tudo. Muito triste, mas ordem dada é ordem cumprida ? lamenta.

Nas palavras de Prisco: ?quem está fazendo a revolução social no Brasil é o militar?.

O dirigente, que usa o prestígio adquirido nos piquetes de 2001 para correr os estados, envolveu-se recentemente numa confusão, em Rondônia, onde se apresentou aos movimentos sociais como se fosse um deputado. Prisco, de fato, tentou uma vaga a deputado estadual pelo Partido Trabalhista Cristão (PTC) em 2010, mas recebeu uma votação pífia. A visita a Rondônia acabou rendendo-lhe uma acusação de falsidade ideológica.

Nascido em Catu, a 40 quilômetros de Salvador, ele entrou para o Corpo de Bombeiros em 1999. Disse que, desde jovem, sonhava com a profissão. Quando fala dela, lembra, emocionado, de um salvamento que fez no tempo em que servia no quartel do Iguatemi. Uma médica ? ele conta ? bateu com o carro pouco depois de seu plantão no hospital. Ficou presa nas ferragens e, como era cirurgiã ortopédica e estava consciente, recusou terminantemente a ajuda de qualquer PM. Exigia a presença dos bombeiros, pois temia uma lesão grave na coluna. Foi Prisco que a resgatou.

Pai de um casal e desempregado desde 2002, Prisco afirma que sobrevive graças à ajuda financeira da mulher, que é mestre em linguagem dos sinais. O sindicalista diz que chegou a fazer três semestres de Direito, mas ressalta que teve de abandonar o curso por não ter dinheiro suficiente para pagá-lo. Ele garante que sua demissão foi ilegal e que há duas ordens judiciais, além de uma anistia concedida pelo governo Lula, determinando que o governo baiano providencie sua imediata reintegração. Sendo assim, enquanto comanda a nova greve, Prisco enfrenta a seguinte contradição: reivindica para si direitos garantidos pela mesma Justiça que manda os policiais que ele lidera voltarem ao trabalho.

Reforço do Exército sai do Rio

Na manhã deste domingo, uma aeronave decolocou da Base Aérea do Galeão para Salvador com 150 paraquedistas, a fim de reforçar tropas do Exército no estado. Só da Brigada Paraquedista, tropa de elite do Exército, já há 300 militares em Salvador. O objetivo é reforçar o policiamento e apoiar o Comando Militar do Nordeste.

04 Feb 2012 23:29:22

A história de Mora, capítulo 17: ?Severo Gomes é irmão!?

Não se pode falar de Ulysses sem se falar em Severo Gomes. Mas, como definir Severo Gomes? É impossível, absolutamente impossível.Antes, porém, devo explicar aos mais novos quem foi Severo Gomes. Quem sabe, a partir daí, eu consiga, também, passar a ideia do que representou esse homem para o processo de redemocratização do país.

Meus jovens, Severo Fagundes Gomes foi um grande empresário brasileiro, que sempre defendeu o empresariado nacional e os direitos humanos, a despeito de ter sido ministro de dois governos militares ? o do marechal Castelo Branco e o do general Geisel. Homem extremamente culto, elegante.

Severo frequentava os salões da aristocracia paulista e o chamado underground cultural, os becos e botecos sujos de São Paulo, onde se sentia em casa, apesar da origem milionária. Seu pai foi o fundador da tecelagem Paraíba, depois chamada de ?Cobertores Paraíba?. Sua família, uma das primeiras criadoras de búfalos do país.

Quando digo que Severo se sentia melhor nos ambientes loucos e desvairados da pauliceia, não exagero. Os salões e as mansões só lhe traziam problemas, inclusive o maior deles, apontado como estopim da sua demissão do cargo de ministro da Indústria e Comércio do governo. Numa dessas festas, discutiu com um amigo do ex-presidente Médici, a quem teria chamado de ?fascista?.

Conselhos sentimentais

Ulysses se preocupava muito com as aulas do coração que o Severo dava para o apalermado

Severo era odiado pelos empresários de comunicação. Os jornais, em sua quase totalidade, exigiam sua demissão em editoriais, por causa das suas posições nacionalistas e, principalmente, depois que vetou a venda da mais importante fábrica de refrigeradores brasileira, a Consul, para um grupo estrangeiro.

Mas os jornais foram impedidos de divulgar a verdadeira causa da sua demissão ? essa briga de que falei acima, ocorrida numa grande festa do empresariado brasileiro, na casa de Rodolfo Bonfiglioli. O jornalista Hélio Fernandes, dono da ?Tribuna da Imprensa?, o único que desrespeitou essa ordem, teve a edição do jornal apreendida e foi ameaçado de prisão.

Falei e pronto. Agora deixem eu contar as histórias desse pândega, desse peralta chamado Severo Gomes, marido da minha grande amiga Henriqueta.

Descobri agora uma maneira de definir Severo Gomes. Como não tinha pensado nisso antes, meu Deus?! Fernando Henrique, a quem Severo só chamava de ?o nosso maconheiro?, por causa da célebre entrevista a Míriam Leitão, contou, certa vez, a Ulysses, uma história definidora do nosso personagem, que o repórter apalermado registrou:

? A maior reunião da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) foi em Brasília, em 1976, realizada num clima de tensão e muitos debates políticos. Haviam rumores de que a ditadura mandaria prender vários de nós, entre eles o Florestan Fernandes e a mim. Nesse clima, fomos convidados pelo Severo para um almoço em sua casa. No meio do almoço, Severo bota um disco na vitrola, puxa a Henriqueta pelo braço e nos convida a acompanhar o casal na dança. Severo era ministro do governo que nos ameaçava prender. Eu disse para Ruth, minha mulher: ?Não pense que isto é o Brasil. Isto é Severo Gomes!?

Severo foi o nosso guia da viagem à Ásia e à Europa, que narrei aqui. Só não revelei que ele foi também o grande ?conselheiro sentimental? do apalermado, que sofreu muito em suas mãos, mas também aprendeu coisas que universidade nenhuma ensina. Ulysses, certa vez, em discurso num jantar em sua homenagem, falou desses ensinamentos:

? Severo Gomes não é amigo, é irmão! Irmão que escolhi para a vida toda. Severo é uma enciclopédia ambulante. Sabe de tudo, principalmente da vida conjugal e extraconjugal da sociedade paulista.

Ulysses se preocupava muito com as aulas do coração que o Severo dava para o apalermado. Nessa própria viagem, Severo nos usou como figurantes de um jantar do repórter com uma colega, então correspondente em Roma, Monica Falcone, uma das moças mais lindas que conheci. Era tudo farra do Severo.

Em outra ocasião, o ?mestre? Gomes tentou ensinar o ?aluno? a conquistar uma bela repórter recém-chegada a Brasília, chamada Mônica Waldvogel:

? Você sabe o que significa ?Waldvogel?? É ?pássaro da floresta?. Vou ensiná-lo a conquistá-la.

Era um encontro social, quase formal, um jantar que Severo conseguiu transformar num grande baile. Chegou para a Henriqueta, que estava sentada junto comigo e com Ulysses, e avisou:

? Vou tirar aquela moça para dançar, mas profissionalmente. Estou em missão de cupido. Vou amansar o ?pássaro da floresta?. Botou um disco e puxou a repórter para dançar. A moça, assustada, e sem entender nada, aceitou.

Logo nos primeiros passos, Severo tropeçou e se estatelou no chão. Recomposto, virou para o aluno:

? Desista, o pássaro é indomável!

E aí já emendou uma história com a outra e contou de um ministro militar do Sarney, ruim de pontaria, que caçava perdiz perto da sua fazenda, mas levava soldados para abatê-las. Severo era um contador de casos, essencialmente. Até suas histórias repetidas eram interessantes: ele ia botando cacos, quando percebia que o interlocutor já a conhecia.

O poeta e a primeira-dama

Severo conta tudo isso com gestos e até efeitos sonoros, imitando o poeta.

Numa delas, antológica por sinal, Severo conta que foi convidado para um jantar fechadíssimo em torno do grande escritor e poeta argentino Jorge Luís Borges, no Palácio dos Bandeirantes. Não eram mais do que 10 pessoas, entre elas o governador, por sinal um dos melhores que São Paulo já teve, sua mulher e uma filha.

De repente, em um daqueles seculares segundos de silêncio, no sombrio ambiente palaciano, a primeira-dama interveio:

? ?Seu? Borges, a minha menina aqui também é poeta, como o senhor.

(Severo conta tudo isso com gestos e até efeitos sonoros, imitando o poeta batendo forte com a bengala no chão, ao ouvir tamanha insanidade).

Se surdo estava, mudo também permaneceu o ?Seu? Jorge Luís Borges.

O governador, mortificado, tem um ataque de tique nervoso e começa a balançar e esticar o pescoço, igualzinho ao Cesar Maia e, agora, ao filho Rodrigo.

E a primeira-dama, então, parte para o ataque:

? ?Seu? Borges, ela está me cutucando para eu não pedir, mas vou pedir: o senhor deixa ela ler um trecho de um poema lindo que ela fez para o pai?

Se o Severo, que era Severo, diz ter ficado rubro, imaginem os outros convidados!

O poeta rosna um ?sim?, que mais parecia um ?não?.

Montado o palco, o contador de história assume o seu lado de ator e interpreta o papel da filha do governador. Severo abre os braços, já totalmente possuído pela ?poeta? e grita:

? Pai! Pai! Ó paí!

E não passa disso. E nem precisava. E encarna em seguida o papel da mãe coruja:

? ?Seu? Borges, com sinceridade, o que achaste?

E o poeta, com um olho fechado e outro bem aberto, mira-se para o vazio e responde:

? É uma obra comprometida!

E a primeira-dama:

? Não alcancei! Não entendi. O que o senhor quer dizer com isso?

E o seu Borges responde em bom espanhol:

? És uma mierda!

 

Noticias del Mundo - Diario O Globo

Diario O Globo, Cidades, Diarios mundiales, nacionales e internacionales. Periodicos, diarios, semanarios, noticias, gacetillas, medios de comunicacion, portales y sitios en Internet, 04 Feb 2012 23:29:22

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